Fantasporto 2012: «Some Guy Who Kills People» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Com o ‘boom’ do cinema de super-heróis dos anos 2000, podem-se facilmente identificar várias correntes: dos filmes mais sérios e épicos (na escola Christopher Nolan), aos mais juvenis e aventureiros (como a trilogia ‘homem-aranha’) passando pelos mais indie (como ‘Kick Ass’ e ‘Super’).
 
É numa corrente muito negra deste terceiro registo que se enquadra ‘Some Guy Who Kills People’ de Jack Perez (que começou nos anos 90 no cinema independente mas que nos últimos anos realizou disparates comerciais para televisão como ‘Megashark vs. Giant Octupus’).
 
Ken Boyd é um homem solitário que vive com a mãe e trabalha numa geladaria. Há muitos anos foi vítima de “bullying” e tornou-se um cobarde. Certo dia, pessoas em torno dele começam a aparecer mortas – ao mesmo tempo que Ken conhece a sua filha Amy, a qual ele mal conhecia. No encalço do assassino está o xerife Fuller, um homem de uma ineficácia desarmante.
 
{xtypo_quote_left} ‘Some Guy Who Kills People’ é uma comédia negríssima a descair para o ‘slasher’ com um elenco secundário de luxo, mas sem um protagonista à altura.{/xtypo_quote_left}Há muitos pontos em comum entre ‘Super’ e ‘Some Guy Who Kills People’, mas onde ‘Super’ é um filme de espírito genuinamente mais indie, mais artístico e mais emocional, ‘Some Guy’ aproxima-se mais do horror e do ‘slasher’, o que de certa forma é pena, porque mostra que o filme a partir de certo ponto aposta naquilo que menos estava a funcionar. É que a jovem Ariel Gade estava a deliciar-nos como a filha demasiado inteligente, e Barry Bostwick estava arrasador como o xerife pinga-amor, para Perez entregar o filme a um cenário mais ‘thriller’ e mais fechado no último ato, onde Kevin Corrigan revela ser um protagonista demasiado limitado e unifacetado para a encomenda.
 
Em defesa de ‘Some Guy’, no entanto, Jack Perez tem a apresentar a ambição de gerar um verdadeiro produto híbrido, que funciona na sua maioria. O filme chega a ser assustador e assombrado, quase perigoso, e tem momentos de ternura familiar singulares e muito pouco usuais. Mesmo que a estrutura desequilibre na parte final para um ‘thriller’ ligeiro e rotineiro, a sensação final apenas pode ser de ter visto um filme original e inspirado.
 
O Melhor: O xerife interpretado por Barry Bostwick, hilariante.
O Pior: Que Perez (realizador) e Corrigan (protagonista) não consigam dar a força ao final que o argumento pretendia.
 
 
 José Pedro Lopes

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