Alex Garel regressa à sua terra natal dez anos depois de a ter deixado para trás – tal como deixou a sua apaixonada (Lana) o seu irmão (David) e um projeto científico que envolvia criar uma criança artificial.
Agora a trabalhar para a universidade local, ele é convidado para terminar esse mesmo projeto e criar o primeiro robô humano independente – que ao contrário dos já existentes pode tomar decisões por si mesmo.
Este ‘Eva’ não é merecedor do perfil que o acompanha (com prémio em Sitges), a não ser o de consolação que por vezes atribui-se a um filme europeu por fazer algo que o cinema “made in Hollywood” já há décadas.
Kike Maíllo conta com uma equipa técnica capaz e cria um gato robótico credível e alguns momentos digitais interessantes. Não há muita ficção científica pura no cinema europeu atual e ‘Eva’ envolve de facto elementos típicos do género, mas é, na sua maioria, mais um melodrama do que outra coisa.
{xtypo_quote_left}‘Eva’ é mais um melodrama que um filme de ficção científica, aliçercado numa narrativa muito previsível. {/xtypo_quote_left}Só isso justifica que algo que parece ser um dado adquirido na sinopse do filme seja uma espécie de “twist” que surge na reta final. É que as personagens de ‘Eva’ perdem muito, mas muito pouco tempo a desenvolver o lado de ficção científica da narrativa. Esse lado é mais emprestado do cinema de Spielberg dos anos 2000 (basicamente a tecnologia de ‘Minority Report’ aplicada ao “setup” de ‘AI: Artificial Inteligence’) do que a algo que Maíllo tenha propriamente criado. E isto porque Alex, Lana e David dominam uma grande parte do relato num pouco interessante triângulo amoroso, que é suposto ganhar força através do mistério em torno de Eva e que só será mistério para quem for um espectador de cinema muito pouco experiente.
Quando Maíllo finalmente põe as cartas todas na mesa, o melodrama é o que domina ‘Eva’ e não a ficção ou a imaginação – o filme assume um tom de tragédia para desculpar o quão previsível é o relato.
Salva-se a analogia com as 1001 Noites, um apontamento curioso.
O Melhor: O mordomo interpretado por Lluís Homar e o gato.
O Pior: O ato central, quando finalmente percebemos que a intriga do filme é muito menos interessante do que pensávamos.
{xtypo_rounded2}
Próxima exibição no Fantasporto
1 de Março, 21h15, Grande Auditório
3 de Março, 15h00, Grande Auditório
{/xtypo_rounded2}
| José Pedro Lopes |

