A Primavera Árabe foi um fenómeno social de massas que, após alguns meses, ainda não se percebe quais as verdadeiras consequências. A Tunísia, focada neste filme, ainda há pouco tempo elegeu democraticamente um partido islamita moderado (o Ennahda) no que foi considerada uma desilusão para o Ocidente. Só o tempo poderá mostrar qual o resultado final deste movimento, mas os filmes sobre esse momento histórico aparecem já neste festival.
Se “Tahrir – Liberation Square” de Stefano Savona pecava pela escolha de se focar apenas no local e não dar qualquer contexto para além do que aí se sabia, “Plus Jamais Peur” coloca-se de outra forma, tentando fornecer esse contexto e procurando vários dos elementos que participaram em níveis diferentes.
Colado com uma entrevista estranha, onde alguém a quem não se filma a cara vai rasgando imagens de revistas e jornais e colando-as enquanto fala sobre outras revoluções anteriores, Murad Ben Cheikh, que se estreia como realizador, constrói o filme com entrevistas, tentando dar uma ideia do que era o passado, da resistência que aí existia e do que foi a revolução actual. Infelizmente a informação não é suficiente, há grandes buracos na história actual, a entrevista central de pouco serve e o mais interessante acaba por ser o casal de advogados dos direitos humanos que, em pleno regime e contra a retaliação da polícia, persistiam em avançar com casos.
Um filme bem intencionado, mas insuficiente. É bem possível que houvesse material para outra aproximação, mas a escolha de Cheikh revelou-se insatisfatória.
O Melhor: Os advogados dos direitos humanos.
O Pior: A desconcertante entrevista que “cola” o filme.
| João Miranda |

