Alex Gibney já há muito que deu provas como realizador de documentários, entre os títulos que já executou podem contar-se “Enron: The Smartest Guys in the Room”, nomeado para Óscar para Melhor Documentário em 2005, e “Taxi to the Dark Side”, vencedor do Óscar para Melhor Documentário em 2007. “Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer” encontra-se já na lista para as nomeações deste prémio deste ano, mostrando a importância deste realizador e a sua mestria.
“Client 9: The Rise and Fall of Eliot Spitzer” explora a ascensão de Eliot Spitzer como Procurador-Geral em Nova Iorque, onde investigou e processou Wall Street e algumas das suas actividades mais duvidosas, ganhando como inimigos alguns homens poderosos. Ambicioso, Eliot Spitzer concorreu a Governador e, sendo eleito, tentou reformar a forma como o estado estava a ser governado, combatendo a corrupção institucionalizada e acumulando ainda mais inimigos. Com a sua ascenção e com tantos inimigos, a sua vida foi alvo de investigação e, apesar da imagem de homem familiar e regrado, descobriu-se que este tinha encontros com prostitutas de luxo. Não sendo grade novidade na política norte-americana, a novidade aqui foi a forma como isto foi construído e a pressão para, apesar de outros que passaram pelo mesmo não o terem feito, se demitir.
Gibney constrói a história de forma cronológica, reforçando os pontos importantes e preparando a queda final, mostrando todos os erros e passos em falso feitos pelos conspiradores. Spitzer, esse só parece interessado numa nova hipótese de um acto de contrição público, talvez preparando o seu retorno político. Ainda assim, Gibney consegue encontrar nessa abertura a possibilidade de explicar melhor a história.
Com a obsessão com a forma que tem assolado o género, é bom encontrar documentários que ainda se preocupam com o conteúdo e a mensagem, sem nunca perder a qualidade visual.
O Melhor: O cuidado com o conteúdo, sem nunca perder a preocupação com a forma.
O Pior: Por vezes dá ideia que Spitzer só usa o documentário como base para relançar a carreira política.
| João Miranda |

