12ª Festa do Cinema Francês:«Demain», por João Miranda

(Fotos: Divulgação)
Delmira Agustini foi uma poetisa uruguaia modernista do início do século XX, cuja poesia explora a sensualidade feminina. Mimada pelos pais, Delmira tem problemas nas suas relações amorosas. É esta personagem e as suas desavenças amorosas que “Demain?” pretende retratar, guiado pela mão de Christine Laurent, que escreve e realiza esta co-produção franco-portuguesa.
Há dias dizia-se no podcast sobre cinema “Filmspotting” que é impossível neste momento um filme falhar a nível técnico. Este filme é um bom exemplo disso: com uma imagem e técnicas irrepreensíveis, não há falha a apontar-lhe tecnicamente. Mas a técnica não chega para fazer um bom filme. Este é o filme mais anti-empático dos últimos anos: a montagem curta impede que haja qualquer identificação ou sequer empatia com qualquer das personagens, o que se traduz num não querer saber o que lhes acontece, na melhor das hipóteses, ou na irritação com a irracionalidade das personagens, na pior. Baseado numa personagem tão interessante, este filme acaba por servi-la mal, reduzindo-a a uma caricatura irritante de uma criança mimada, instável e que não sabe o que quer.
Com apenas uma hora e quarenta e cinco minutos de duração, este foi o filme no festival em que mais gente saiu, começando perto da meia hora de projecção e persistindo até ao final. Essa é a crítica mais eloquente que se pode fazer a este filme.
O Melhor: A técnica.
O Pior: A montagem que impede qualquer empatia.
 
 
 João Miranda
 

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