Sendo estilisticamente um pouco mais ousado que “Frauenzimmer”, “Die Jungs vom Bahnhof Zoo” (“Rent Boys”) funciona praticamente como complemento masculino e jovem desse filme. Com a diferença de que muitas destas pessoas não escolhem esta vida, ao contrário daquelas simpáticas três senhoras.
Também situado em solo alemão, nas ruas de Berlim, também traçando comparações entre pré-queda e pós-queda, “Die Jungs vom Bahnhof Zoo” ao menos consegue variar um pouco mais as suas figuras e respectivas histórias, começando logo por umas imagens de arquivo deliciosas sobre a Zoo Station, o grande local de prostituição de Berlim no passado. Além de termos aqui os dois lados representados (os “hustlers” e os “johns”), temos um punhado de histórias praticamente inéditas aos nossos ouvidos, destacando-se a perspectiva de dois prostitutos romenos e ciganos, levantando tanto uma questão de “gay for pay”, como a transgressão de valores culturais e uma política “don’t ask, don’t tell” dentro da própria comunidade onde nasceram.
No final, o espectador sai mais consciente e informado de uma realidade que escapa a muitos, e portanto, o filme cumpre mais que minimamente o objectivo base de um “documentário”, mesmo que não haja aqui uma grande lição de cinema, mais uma vez.
| André Gonçalves |

