«Rare Exports – A Christmas Tale» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
O finlandês Jalmari Helander tem passado a sua vida a desmascarar o Pai Natal pelo que ele realmente é: um monstro gigantesco que na altura do Natal castiga as crianças que se portaram mal, usando um critério bastante exigente. As suas duas primeiras curtas, ‘Rare Exports Inc’ e a sua sequela, eram uma espécie de videos comerciais de promoção à venda de pais natais capturados nos montes da Lapónia. Estas obras bizarras levantaram enorme curiosidade em torno do mito que vivia por detrás, e finalmente em 2010 Helander conseguiu avançar com esta longa, que é uma prequela que revela a origem de tais “pais natais”.
Na fronteira entre a Finlândia e a Rússia há um monte enorme cujas origens são desconhecidas. Um grupo de americanos suspeita ser o gigantesco túmulo do pai natal verdadeiro, uma criatura cujo locais acreditam não ser nada amigável. Bem pelo contrário, o mito da região fala que o Pai Natal era uma espécie de predador de crianças, que as castigava na altura do Natal. O que vem a seguir é demasiado original e criativo para merecer ser revelado numa crítica. Aliás, se é verdade que ‘Rare Exports’ não é a bomba que a sua vitória no Sitges e a antecipação dava a entender que seria, é inegável que é um dos filmes do género fantástico mais criativos dos últimos anos. Helander não se fica pelo “pai natal mau” e cria uma mitologia elaborada e cheia de surpresas em torno desta pequena provocação.
{xtypo_quote_left} ‘Rare Exports – A Christmas Tale’ é fresco e criativo, um poço de ideias fantásticos que demora um pouco a arrancar e que acaba por jogar à defesa no final.  {/xtypo_quote_left}Após uma primeira parte demasiado calma, o filme entra fundo no mundo do “verdadeiro” Pai Natal, dos seus ajudantes e de como tudo foi bem escondido na Finlândia pelo terror que tinham a este monstro hediondo. As primeiras sequências  de tensão estão brilhantes e surpreendentemente arrepiantes: desde uma boneca de madeira que é deixada no lugar das crianças, ao velho misterioso que fareja a proximidade de uma criança. Helander joga bem a expectativa, e consegue o feito raro de nos surpreender com um filme de terror à primeira vista linear.
No entanto, o factor prequela fere um pouco o filme. Talvez fiel demais às curtas, o desfecho do filme torna-se minimalista e fica a ideia que ‘Rare Exports: A Christmas Tale’ ficou sem um desvario final, sem soltar o seu demónio. Talvez o orçamento modesto justifique também um pouco isto, mas fica a ideia que uma sequela mais globalizante e explosiva poderia ser uma excelente visita à cada vez mais rica cinematografia finlandesa.
O Melhor: O velho misterioso e o seu olfato.
O Pior: A recta final é demasiado contida.
 
 José Pedro Lopes
 

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