“Grande Hotel” é uma visão cruel sobre o colonialismo, com os seus sonhos de grandeza e abandono em situação de extrema pobreza. O Grande Hotel foi construído pelos portugueses em Moçambique em 1955, um projecto megalómano e insustentável, com custos muito acima dos possíveis ganhos, um espelho da situação colonial. Com o passar do tempo e com os movimentos nacionais de libertação, o Grande Hotel foi abandonado e posteriormente ocupado, servindo agora de casa a 2500 pessoas, cenário de crime e desolação, as infraestruturas arrancadas e pilhadas para serem vendidas, sendo também um espelho, mas agora da situação pós-colonial.
Com entrevistas feitas a quem conheceu o Grande Hotel no seu esplendor e a quem mora lá agora, cruzando filmes publicitários da época com as imagens de agora, o filme acaba por, mesmo não sendo esse o objectivo explícito da realizadora na declaração de intenções que disponibiliza no site, ser uma crítica dura ao colonialismo e ao pós-colonialismo, na figura deste Grande Hotel.
Com uma imagem pensada para aproveitar as condições actuais do Hotel, com planos longos e utilizando apenas a iluminação existente, este é um filme que ganha em ser visto num ecrã grande. Esperemos que tenha distribuição comercial.
O Melhor: Algumas das personagens e os contrastes.
O Pior: Um filme belga para uma parte da História Portuguesa…
A Base: Este é um filme que ganha em ser visto num ecrã grande.
| João Miranda |

