Todos os anos na Pequena Itália de Nova Iorque são celebradas as festas se São Januário (em italiano Gennaro), santo patrono de Nápoles. Durante dias, barracas de comida e jogos ocupam as ruas fechadas ao trânsito, no que era uma importante celebração italo-americana, mas que vai perdendo esses contornos, sendo frequentada por qualquer pessoa. Uma dessas ruas fechadas ao trânsito é a “Mulberry St” que dá nome ao filme, onde mora Abel Ferrara, realizador de vários filmes conhecidos como “King of New York” ou “Bad Lieutenant”.
Este filme é a tentativa de documentar com um conhecimento do terreno e das tradições, uma festa que junta milhares de pessoas num pequeno espaço da cidade. Isso, associado ao espírito de Ferrara, traduz-se num filme delirante, onde se pode ver ainda a divisão racial que existe nas ruas de uma das maiores cidades da América, mas também a união para um objectivo conjunto de uma comunidade ainda marcada fortemente pela tradição, apesar de esta se ir diluindo pouco a pouco.
É um filme curioso para quem segue o trabalho de Ferrara, mas também por quem se interesse por viajar ou Nova Iorque. Um filme vibrante e cheio de vida, potenciada várias vezes pela bebida que é consumida em doses largas.
O Melhor: Ferrara, é uma personagem que enche o ecrã.
O Pior: Há momentos estranhos e alguma desconexão.
A Base: Um filme vibrante e cheio de vida.
| João Miranda |

