Um pai demasiado protector toma conta da sua filha no interior do Canadá francófono. Esta é a história de «Curling», o novo filme de Denis Coté, realizador canadiano premiado o ano passado em Locarno, onde participou com este mesmo filme. Trata-se de uma história simples, sobre a relação entre um pai e a filha de doze anos, protegida numa estrutura densa de mistério e elementos em excesso, todos sem qualquer explicação ou seguimento.
Há algo permanentemente ominoso na narrativa do filme: quartos cheios de sangue, corpos gelados na floresta, um tigre num campo, um atropelamento na noite, sempre algo que parece ameaçar as duas personagens, mas nunca nada acontece. Os filmes são como piadas: quando têm de ser explicadas, não funcionam. Este filme é como uma piada falhada, com o seu excesso de pontas soltas e de ameaças que nunca se desenvolvem, como se preso numa simbologia que só faz sentido para o realizador, que não parece querer incluir o espectador na piada, não parece fazer qualquer esforço para ser entendido. Torna-se um filme alienante e aborrecido com o seu passo lento, longo na sua hora e meia.
O Melhor: A relação pai-filha, o coração da história.
O Pior: O excesso de pontas soltas.
A Base: Um filme alienante e aborrecido com o seu passo lento, longo na sua hora e meia. 4/10
João Miranda

