Genesis P-Orridge é um artista inglês que esteve envolvido no aparecimento da música industrial e que, após a sua mudança para Nova Iorque, colaborou com William Burroughs e Brian Gynsin, utilizando na música a sua teoria dos cut-ups. Já no final dos noventas, conheceu Lady Jaye com quem casou e desenvolveu um projecto artístico de destruição individual para construção de uma nova identidade comum. Para isso, submeteram-se a várias operações plásticas, parecendo-se progressivamente mais um com o outro. Este filme, que demorou cerca de sete anos a filmar, tendo surgido paralelamente a um projecto de filmar vários artistas em Nova Iorque, regista o relacionamento entre estes dois artistas e algumas das suas ideias.
Infelizmente, a realizadora, Marie Losier, está demasiado envolvida com o tema que tenta filmar, acabando por fazer um panegírico, ficando-se pelas superfícies brilhantes e não entrando nunca em profundidade quer na teoria da Pandroginia, quer na vida pessoal destas pessoas, como por exemplo a reacção das filhas de Genesis à sua transformação em mulher. Em sete anos de filmagens, de certeza que haveria material para mais e, com apenas uma hora e um quarto de duração, havia mais tempo para explorar alguns dos conceitos de uma personagem tão influente como foi Genesis P-Orridge.
O Melhor: O vislumbre do processo criativo.
O Pior: A recusa de aprofundar um tema que poderia ter sido mais interessante.
A Base: Infelizmente, a realizadora, está demasiado envolvida com o tema que tenta filmar ficando-se pelas superfícies brilhantes. 5/10
João Miranda

