IndieLisboa’11: «Finisterrae» por João Miranda

(Fotos: Divulgação)
Dois espíritos, fascinados pela vida e pela sua efemeridade, resolvem encarnar para poder experimentá-la. Para tal, terão de fazer o Caminho de Santiago, numa viagem iniciática que lhes permitirá fazê-lo no final. É um filme estranho, com situações que se aproximam do Mistério religioso, onde a impossibilidade de compreender com a razão só pode ser superada com o aceitar deste, num acto de Fé característico destas peregrinações.
O filme foi pensado a partir das imagens, sendo construído sobre elas, à semelhança de “Un Chien Andalou” de Buñuel e Dali, o que alimenta a forte impressão estética das imagens apresentadas, mas também a forte alienação da incoerência entre elas, aumentada pelos diálogos e situações que vão aparecendo no ecrã. Com Eduard Grau na fotografia, que trabalhou também no magnífico “A Single Man” de Tom Ford, é possível que este filme seja estudado nos meios académicos nos próximos anos.
Este poderia ser um filme de culto, podendo mesmo ser recheado de filosofias, simbologias e significados, mas o realizador comete, perto do final, dois erros que prejudicam a sua textura densa: o primeiro uma referência a um trabalho vídeo dos anos 80, sem qualquer propósito que o da auto-promoção, e o segundo uma referência aos contos infantis, uma saída fácil para uma situação complicada.
O Melhor: A Fotografia
O Pior: A saída fácil do final.
A Base: Um futuro filme de culto para alunos de fotografia. 6/10

João Miranda

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