Martin Scorcese, um dos maiores realizadores actuais, dedica este filme a Elia Kazan e a alguns dos seus filmes mais influentes, focando-se em três: “On the Waterfront” (Há Lodo no Cais), “East of Eden” (A Leste do Paraíso) e “America, America”. É uma carta de amor a uma personagem polémica da indústria do cinema, sem evitar a origem dessa mesma polémica, mas tentado mostrar a sua importância e influência na 7ª arte.
Elia Kazan é descendente de gregos da Anatólia que partiram para a América à procura de uma nova vida. “America, America” é a história pessoal do seu tio, a sua viagem do velho continente até à terra prometida, com todas as dificuldades e agruras por que passou. Tendo conseguido estabelecer-se no teatro, Elia ganhou alguma projecção como encenador na Broadway o que lhe permitiu depois dar o salto para o cinema, onde realizou grandes clássicos do cinema. Nos anos 50, na época da caça às bruxas do Senador McCarthy, Elia denunciou alguns dos seus ex-colegas de teatro como simpatizantes comunistas, o que fez com que muita gente não aplaudisse quando recebeu o Oscar a premiar o seu contributo à Arte em 1999.
O filme, com apenas 60 minutos, levanta questões sobre o fazer filmes e a realização, e mostra o contributo incontornável deste realizador ao cinema, com cenas inesquecíveis como a de Marlon Brando e Rod Steiger no banco de trás do carro em “On the Waterfront”. É graças aos filmes de Elia Kazan, diz Scorcese, que este último começou a fazer cinema. Mais um motivo para lhe agradecer.
O Melhor: O não tentar branquear a colaboração de Kazan com o McCarthismo.
O Pior: Onde ficaram clássicos como “A Streetcar Named Desire”? Hey Stellaaaah!
A Base: É uma carta de amor a uma personagem polémica da indústria do cinema...6/10
João Miranda

