IndieLisboa’11: «Homme au Bain» por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

O novo filme de Chistophe Honoré (“As Canções de Amor”) é um ensaio masturbatório e fetichista apoiado numa figura central: o actor porno François Sagat. 

 
Esqueçam a história – consegue ser ainda mais superficial e irrelevante que uma novela das nove da noite, só ganhando ao género “porno”… Com a diferença de que uma novela das nove não se põe a divagar por referências aos anos 60 (nomeadamente, “nouvelle vague” e liberdade sexual, temas por si só fetiche do realizador, observando para a sua filmografia), e se cortássemos daqui tudo o que uma novela das nove não pode mostrar, teríamos, bem… ficaríamos com meia hora de filme ou menos.
 
O que é que nos traz aqui mesmo? Uma desculpa para situações mais ou menos reveladoras e caricatas, disfarçadas de dramas amorosos, expondo mais ou menos roupa, entre outros acessórios.  Aborrece? Nunca. Se é bom ver François Sagat em acção em todo o seu esplendor? Bem, dependerá  do espectador, obviamente (Eu digo “Sim!”). Temos portanto à partida um filme já limitado a um certo nicho de mercado – intelectuais de esquerda, fãs de François Sagat, e com mente muito aberta – e quase orgulhosamente à deriva. O que por muitos cús jeitosos (masculinos sobretudo) à mostra, sexo bom e uma cover curiosa de uma música da Kate Bush, levanta mesmo a questão: será isto arte? Ou simplesmente “kitsch”? 
 
Não se trata aqui de condenar o sexo. Ele é bom, como já disse. E é preciso mostrar apreço por um filme sem quaisquer pudores em mostrar pilas, rabos e corpos no geral, e filmá-los com jeito. E Sagat consegue até roubar o centro das atenções a actores tão conceituados como Chiara Mastroianni, e gostamos de pensar que não só pelos seus dotes físicos. Só é uma pena que este crossover não tenha sequer metade do sucesso de um “Shortbus”, e seja mais uma prova de que um filme, independente ou “mainstream”, precisa acima de tudo de uma boa história por detrás. O resto é acessório, por muito que nos lave a vista – e bem. E pode ser visto hoje em dia fora do cinema à distância de um “click”. Talvez seja uma mensagem distorcida que o filme afinal até possua por ali. Mas isso será dar-lhe demasiado valor. 
 
O Melhor: François Sagat 
 
O Pior: História, nem vê-la…
 
A Base: Recomendado a quem deseje ver sexo “hardcore” e “alternativo”, numa sala de cinema “convencional”, e a fãs de François Sagat no geral. Os restantes abstenham-se.  4/10

André Gonçalves

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