São raros os filmes falados em alemão que chegam a Portugal e que têm um real sucesso nas bilheteiras. Posso estar enganado, mas creio que «Die Welle» (A Onda) foi o último exemplo de um filme na língua alemã que fez um percurso verdadeiramente comercial nas salas e teve uma aceitação agradável do público em geral (e não só da crítica).
Como tal, era com alguma expectativa que o novo filme de Dennis Gansel chegava ao mercado. Conseguiria ele repetir o sucesso do seu trabalho anterior?
Como temática o cineasta recorreu a uma das grandes fontes de inspiração do cinema actual, na era pós-Twilight. Assim, ele pegou numa história de vampiros e embelezou-a com quatro mulheres, onde o lesbianismo não é usado como comédia ou elemento de muito charme para heterossexual ver .
Com o nome «We Are The Night» (Wir Sind Die Nacht), o thriller com uma componente romântica entra no Universo dos vampiros, acompanhando uma mulher, Lena (Karoline Herfurth), que rouba para sobreviver. Tudo muda quando ela conhece Louise (Nina Hoss), uma mulher que gere um clube ilegal e que é uma vampira, juntamente com as suas amigas Charlotte (Jennifer Ulrich) e Nora (Anna Fischer). Louise rapidamente apaixona-se por Lena, faz dela uma imortal e apresenta-lhe uma nova vida cheia de luxo, diversão e sedução Mas Lena não se sente inteiramente bem com a vida que leva, especialmente com o facto de ter de matar para viver. Conseguirá ela sair de um mundo de luxúria e imortalidade sem que os que estão à sua volta sofram as represálias do seu abandono?
Ao contrário do que se possa pensar, esta não é mais uma fita que pega nos vampiros após o sucesso de “Twilight”. O projecto existia há mais de uma década, e só não avançou porque antes da saga de Stephenie Meyer ser o sucesso que foi, não existiam grandes apoios a este género de obras na Alemanha. Esta queixa dos realizadores germânicos não é nova. Ainda há pouco tempo tive o mesmo tipo de resposta por parte do realizador do filme alemão «The Last Employee» (presente na última edição do Fantasporto). Na Alemanha não se aposta em contos fantásticos, como já se faz em Espanha e no Reino Unido, por exemplo. Aos poucos este género de cinema vai ganhando o seu espaço, seja influenciado pela cultura americana de terror, ou pela cultura asiática.
Aos poucos as coisas começam a mudar e «We are the Night» é um interessante exemplo do que se consegue fazer em termos europeus. Mas se as intenções e o avanço do «novo cinema fantástico» alemão são de louvar, os resultados nem por isso. É óbvio que há muita inexperiência e seguidismo no género por parte dos cineastas e produtoras que agora avançam nesta linha, um pouco como aconteceu em Espanha quando a Filmax e a Fantastic Factory avançaram com a nova vaga. No caso espanhol são óbvios os avanços conseguidos na última década, sendo [REC] talvez o expoente máximo desse trabalho.
Uma das coisas que falha em ‘We Are The Night’ é o seu argumento, que apesar de ter alguns bons detalhes, percorre caminhos muito estilizados e clichéticos do género, fazendo da obra um produto de Hollywood na Alemanha, ao contrário de um verdadeiro filme de vampiros alemão com tons hollyoodescos. E esse problema não afecta apenas a acção, mas também as personagens, ainda que existiam os tais detalhes que por vezes nos fazem dizer que há «bons apontamentos».
Mas no fundo, e estética à parte, «We Are The Night» é um filme mediano e escapista do género de vampiros. Há uma tentativa falhada de criar um romance proibido e uma espécie de obra femininista do género, que acaba por ser meramente superficial e terrivelmente derivativa
De qualquer maneira, “We are Night” é uma experiência a levar em conta, que prova que o cinema alemão pode ter uma palavra a dizer no que toca a obras comerciais do género.
O Melhor: O Início e a personagem de Nora
O Pior: Quer ser profundo, mas revela-se terrivelmente superficial e cliché
A Base: Estética à parte, «We Are The Night» é um filme mediano e escapista do género de vampiros.
Jorge Pereira

