2ª Mostra SyFy:’Hatchet 2′ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)
 

Como fã assumido do cinema ‘slasher’ devo confessar que o diptico ‘Hatchet’ estranhamente me ultrapassa. Em 2006, o realizador Adam Green promoveu o filme original como uma comédia referencia e como o regresso do ‘slasher’ original americano. Nesse aspecto, foi mal sucedido comercialmente, bem junto da critica (o filme não foi dizimado como é tradição no género) mas acima de tudo junto da industria. ‘Hatchet’ colou-se à lista de filmes ‘slasher’ que merecem ser vistos nos anos 00 como um produtor ‘camp’ referencial e cheio de ‘gore’. Isto abriu-lhes as portas para fazer filmes com grande impacto junto da critica e festivais como o ‘thriller’ “Frozen” e “Spiral’”. Agora, Adam Green regressa ao seu ‘slasher’ sangrento. Segundo o que confessou à revista Empire, sentia falta de voltar a casa depois de umas filmagens cheio de sangue e tripas na roupa.
 
Devo confessar que Adam Green é neste aspecto um sortudo. O primeiro ‘Hatchet’ era um filme vulgaríssimo, nada original (era um clone descarado de ‘Sexta-Feira 13) e cuja falta de seriedade nunca se tornava em sátira nem comédia. A sua recta final era, inclusive, chata e a roçar o amador. Passados quatro anos e dois filmes, ‘Hatchet II’ marca o seu regresso e pouco ou nada mudou. Adam Green rodeia-se de vários  nomes de culto do terror indie americano (Tony Todd tem aqui um papel maior, Danielle Harris é a protagonista e até Lloyd Kaufman – o sr. Troma – faz uma aparição) e conta com um orçamento mais decente. No entanto, o resultado final continua a ser a série B deliberada – um trabalho preguiçoso que nunca evolui para verdadeira comédia nem se revela capaz de providenciar qualquer tipo de terror. Há muito sangue, mas nenhuma das mortes vistosas são dignas de ficar para a história dos cinéfilos do “gore”.
 
A história roça o absurdo. Danielle Harris (‘Halloween 4 e 5’ primeira era, ‘Halloween I e II’ era Rob Zombie) interpreta a sobrevivente do primeiro filme, que volta com mais gente para tentar travar o monstruoso redneck Victor Crowley (interpretado por Kane Odder, o mais popular dos actores que faz de Jason Vorhees). No entanto, estes dois habituais do terror indie americano e Tony Todd (‘Candyman’) não animam o que é um filme banal. Face ao primeiro, a perda das personagens de Mercedes McNabb e Joleigh Fioreavanti faz com que este segundo filme perca muito do humor que o primeiro ainda conseguia ter. Como disse no inicio, como fã do cinema ‘slasher’, este ‘Hatchet’ passa-se totalmente ao lado.
 
O Melhor: O desfile de referências.
O Pior: Tal como o primeiro, a linha entre sátira e ser de facto um filme mau é ultrapassada.
  
A Base: ‘Hatchet II’ é pura série B, mas sem o sentido de diversão que julga ter. 3/10 
 
José Pedro Lopes 

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