
O detective Ivan Johnson anda à procura de uma mulher desaparecida. A sua investigação leva-o até ao professor Carlos von Braun que, por sua vez, anda a desenvolver tratamentos para o rejuvenescimento das mulheres. Mas o que começa numa conversa casual acaba num rapto, com Johnson a ser drogado e levado para a clínica do professor, numa ilha remota. O detective acorda uns dias depois, numa cela…
Esta é a premissa de ‘Sufferrosa’, o filme interactivo polaco que marcou presença duas noites seguidas na auditório pequeno do Rivoli. A sua exibição ao vivo é, no mínimo, decepcionante pois a interactividade não é possível. O formato de ‘Sufferrosa’ é para apenas um jogador/espectador, e por tal o público limitou-se a assistir ao realizador Dawid Marcinkowski a controlar os eventos totalmente sozinho no seu portátil.
Para piorar a experiência, o autor polaco não foi de longas explicações – certo que o projecto falaria por si próprio ou então por consciência que a sua apresentação ao vivo não faz grande sentido. É como se estivessemos a assistir a um amigo a jogar PlayStation. O que me leva à segunda crítica ao projecto: todos os jogos de computador são, por natureza, filmes interactivos. Muitos deles são feitos em imagem real inclusivé, e quase todos eles contam com narrativas elaboradas. Ou seja, o que ‘Sufferrosa’ parece oferecer é mais uma “punch-line” de marketing do que realmente algo inovador.
Já o filme em si aproxima-se mais do videoclip e do video arte do que própriamente do cinema. A fotografia e a edição abundam sobre a narrativa, que é quase inexistente. Percorremos o labirinto da história a conhecer as personagens estranhas que a habitam: e se algumas são engraçadas, a realidade é que o relato depressa cai na monotonia.
No final, fica a ideia de que: a “performance” ao vivo de ‘Sufferrosa’ não faz grande sentido; nenhum dos espectadores ficou com vontade de jogar online.
O Melhor: As estranhas criaturas do piso final.
O Pior: É realmente desinteressante.
A Base: ‘Sufferrosa’ ao vivo não é uma experiência interactiva. É apenas ver uma pessoa a jogar sozinha. 3/10
José Pedro Lopes
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