Galardoado com o prémio Mélies d’Argent, no Festival de Leeds de 2010, “The Last Employee” (Der letzte Angestellte) conta-nos a história de um advogado, David, que a fim de poder sustentar a sua família, aceita um novo trabalho para liquidatário de uma empresa onde se vê com a missão de despedir todos os seus empregados. Mas como poderá ele lidar com o peso da dor dessas pessoas? David vê-se perseguido pelo fantasma de uma das empregadas que torna a sua vida num pesadelo.
Este filme de fantasmas alemão é uma obra surpreendente, quer pela positiva quer pela negativa. Por um lado, o filme de Alexander Adolph revela-se capaz de pregar sustos a lote e criar grandes momento de tensão. Mesmo se o tema pareça reminiscente do terror asiático dos anos 00 e os seus ecos ocidentais, a verdade é que ‘The Last Employee’ joga muito bem com ‘timmings’ e espectativas. O público do Fantas tremeu e saltou por diversas vezes.
A fotografia de Jutta Pohlmann é soberba – em ‘The Last Employee’ a profundidade de campo é explorada e joga com genialidade. É raro ver um filme tom soturno em termos de luz ter tanta definição e detalhe. O relato sai também fortalecido pelo sempre excelente actor Christian Berkel (‘Inglorious Basterds’) que equilibra bem o carisma com a cobardia da sua personagem.
No entanto, há certas escolhas estéticas e narrativas de Alexander Adolph que parecem desfazer o que é um excelente trabalho visual. A fantasma protagonista do filme tem uma maquilhagem inexplicavelmente amadora e se certas aparições são arrepiantes (sempre que envolvem um telefone ou alguém bater com a cabeça na parede), outras são pouco mais do que um mero “cross-fade” muito mal executado.
O terreno onde o filme arranca é próspero (a ideia de alguém ser o último funcionário num escritório e os fantasma do desemprego parecem dão ao filme um cenário algo politizado) e pelo sua maioria ‘The Last Employee’ é tenso e assustador. Mas falta-lhe alguma garra na hora de desenvolver o acto final – que é do mais previsível possível – e audácia para deixar que a ameaça ganhe uma dimensão mais impactante – os truques tornam-se repetidos ao longo do filme.
Fica aqui o apontamento que, quer Alexander Adolph, quer o terror alemão, poderão ter algo muito interessante para nos mostrar no futuro.
O melhor: A fotografia de Jutta Pohlmann.
O pior: Os truques repetem-se e o filme torna-se previsível.
A base: ‘The Last Employee’ está bem ritmado e filmado – e oferece alguns sustos bem eficazes – mas falha na hora de dar o passo entre a rotina e a genialidade. 6/10
José Pedro Lopes
‘The Last Employee’ repete no Fantasporto no Domingo, dia 27 de Fevereiro, pelas 15h00
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