
“Peacock” não esconde cartas na manga neste aspecto, e desde o início mostra-nos a duplicidade da personalidade do seu protagonista. John e Emma são ambos a mesma pessoa, duas personalidades diferentes que agem autonomamente uma da outra. Confinada a sua casa, o acidente possibilita que Emma saia e que comece a interagir com a população da pequena cidade, apresentando-se como esposa de John, que fica desesperado com as suas acções.
Ao longo do filme vamos percebendo que o tímido John vivera toda a vida subjugado ao domínio da mãe déspota, e que Emma se tornou “sua zeladora e protectora” depois da sua morte. Este conceito baseado num estilo “Psycho” ajuda a compreender a personalidade de John, por um lado, e a doçura de Emma, a verdadeira mãe boa de John, por outro.
No elenco podemos encontrar, para além de Ellen Page, nomes como Bill Pulman, Keith Carradine e Josh Lucas. No entanto, o protagonista Cillian Murphy domina por completo todas as cenas. Destaque ainda para Susan Sarandon no papel da igualmente doce Fanny Crill.
Tal como o próprio protagonista também nós espectadores vamos ficando perdidos no meio do filme, sem sabermos muito bem onde é que a história vai dar, sobretudo depois do aparecimento de Maggie (Ellen Page). E assim a história vai evoluindo de forma fluida, ganhando pelo caminho alguns raios de thriller, acabando por escalar para um final que, embora possa não agradar a todos, acaba por completar as premissas levantadas pelo argumento.
Por isso mesmo, e embora tenha sido escondido num lançamento directo para DVD nos Estados Unidos, “Peacock” apresenta-se como uma proposta diferente e interessante que merece uma olhadela. 6/10
O Melhor: Cillian Murphy.
O Pior: Tenho “Juno” demasiado presente para aceitar Ellen Page noutro papel de mãe adolescente.

