
Ano: 1991
País: EUA
O realizador Todd Haynes pode ter ficado mais conhecido com filmes como “Velvet Goldmine” e “Far From Heaven”, mas foi a sua primeira longa-metragem que gerou maior controvérsia, quando um Senador norte-americano, extremamente homófobo, decidiu fazer uma campanha contra um surpreendente vencedor do Sundance por este ter sido financiado pela National Endowment for the Arts (NEA), transformando-o, ironicamente,
num sucesso ainda maior. Surgia assim “Poison”, uma das obras centrais do “novo cinema queer“, o movimento que descreve a maior abertura do cinema independente à cultura e identidade “queer”.
Polémicas aparte, estamos perante os primeiros passos de um dos cineastas mais importantes do cinema contemporâneo, e logo com esta primeira apresentação percebemos que lidamos com alguém fora do comum. O filme mistura três histórias: uma filmada em estilo documental, numa desconstrução perspicaz do género “documentário de 60 minutos para TV” (“Hero”), uma filmada a preto e branco num estilo a lembrar um episódio “Twilight Zone”, em homenagem ao cinema de horror clássico (“Horror”), e outra envolvendo um estilo mais a cores, pegando em duas tonalidades consoante o espaço temporal (“Homo”). Três histórias aparentemente distintas, inspiradas pelo escritor do sex. XX Jean Genet, mas que se vão complementando de uma forma incrivelmente cativante, ora erótica, ora perturbadora, ora algo entre estas duas sensações.
“Poison” prende o espectador mais aventureiro ao ecrã durante os seus 85 minutos de duração e merece, portanto, uma visita e o risco dessa visita – especialmente agora que se encontra a um preço incrivelmente barato no mercado.
Deste lado, está uma das descobertas mais importantes do cinema feito na década passada.
André Gonçalves

