Michel Gondry anima as novas gerações em Berlim: “Sinto-me mais confiante”

(Fotos: Divulgação)

Sensação animada da mostra Generation da 75. Berlinale, “Maya, Donne-moi Un Titre” já chegou à capital alemã com status de “must-see”, um rótulo industrial para as atrações imperdíveis, à força do seu realizador-autor: o francês Michel Gondry.

Foi só uma forma de poder falar melhor com a minha filha, o que já parte do título, quando peço que ela nomeie o que nós dois estamos a fazer”, disse o realizador ao C7nema, na sede da Unifrance em Berlim.

Ele teve uma passagem pelo Rio de Janeiro, há 16 anos, com direito a encontro com o cantor baiano Caetano Veloso. Envolveu-se na criação de oficinas de realização (que ministrou), no meio a uma retrospectiva da sua obra. Na visita à América do Sul, o realizador descobriu que muita gente aprendeu a amar (ou acha que aprendeu) assistindo à sua longa-metragem mais famosa: “Eternal Sunshine of The Spotless Mind” (“O Despertar da Mente”, em Portugal; “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças”, no Brasil), de 2004.

Antes, esse francês de 61 anos já era uma celebridade de culto pelo mundo do audiovisual, mas por uma outra faceta, a dos videoclipes, sobretudo os da cantora islandesa Björk, como “Human Nature”. Ele, Spike Jonze e Jonathan Glazer foram os nomes mais transgressores desse tipo de publicidade tão autoral que a indústria fonográfica um dia consagrou, com a ajuda da MTV. No entanto, foi a história de amor de um artista gráfico (Jim Carrey) para preservar as memórias do amor pela complicada, mas encantadora mulher, Clementine (Kate Winslet), que fez Hollywood se vergar perante o realizador. Até o Oscar, de Melhor Argumento Original, ele recebeu, dividindo com Charlie Kaufman.

Vejo cineastas que têm uma vida privilegiada criarem retratos maus e perversos da vida em busca de um selo de aprovação artística. Já eu prefiro falar de aspectos mais amorosos”, definiu-se Gondry.

Na capital alemã, Gondry conversou com o C7nema sobre o empenho de dialogar com plateias infantis.

O que foi buscar na sua relação com livros infantojuvenis e BDs para criar “Maya, Donne-moi Un Titre”?

É um filme simples. Fazer animação permitiu que eu tratasse de assuntos como colocar o mundo em perigo sem precisar me preocupar muito. É um olhar dela, de Maya. Sempre fui o mais imaginativo dos meus irmãos e cresci cercado de BDs belgas e de filmes do Leste Europeu. Sempre odiei super-heróis, pois sempre vi algo de fascista nessa coisa de um homem contra o mundo.

Como foi a concepção da música e do som de “Maya, Donne-moi Un Titre”?

A música faz parte de mim e, embora não me veja como um ícone de nada na tradição dos videoclipes, sinto que, depois de ter passado por eles, encontrei novos caminhos para narrar. Sinto-me mais confiante, sobretudo por escrever as minhas próprias histórias. Usei um ‘sound banking’ da internet para a banda-sonora, num empenho de criar algumas combinações inusitadas de imagem e som.

De que maneira um filme como “Maya, Donne-moi Un Titre” fala de amor?

Maya é uma heroína e cria terremotos por onde passa para tornar o mundo melhor.

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