Começou o festival South by Southwest. «The Cabin in the Woods» surpreende (com crítica)

(Fotos: Divulgação)

Começou na sexta-feira o – cada vez – mais famoso festival South by Southwest, mais conhecido por SXSW, um evento que ocorre em Austin, no Texas, desde 1987 e que reúne desde concertos musicais (que vêm desde a sua génese), a apresentações de empresas (o Twitter explodiu a partir de lá), tecnologia (Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, e Mark Zuckerberg, criador do Facebook*, passaram por lá) e – naquilo que nos diz mais respeito – muito e bom cinema.
 
E no que diz respeito à 7ª arte, o evento foi o escolhido por diversas obras para terem a sua antestreia mundial, entre elas «Cabin in The Woods»«Marley», de Kevin Macdonald, «Small Apartments», de Jonas Åkerlund, «Beauty is Embarrassing», de Neil Berkeley, «Citadel», de Ciarán Foy, «Los Chidos», de Omar Rodriguez Lopez (membro de bandas como os At the Drive-In e The Mars Volta), e «21 Jump Street», a versão cinematográfica do clássico da TV.
 
* não esquecer Eduardo Saverin, que nós vimos «A Rede Social» 😉 
 
 
{xtypo_rounded2}
«The Cabin in the Woods»
 
 
 
Falar de filmes como «The Cabin in the Woods» é, e será sempre o maior pesadelo de um crítico ou jornalista. Qualquer palavra em falso pode representar o estragar a surpresa que todo o filme é, e que me atrevo a dizer vai deixar uma marca importante no horror, não tanto como «Scream» o fez nos anos 90, mas ainda assim de forma memorável. Por isso, segue-se a política de contar o menos possível e apenas num sentido totalmente abstrato.
 
No filme seguimos cinco jovens que viajam para uma cabana para uns dias de descanso. Nada de novo no cinema. Este esquema para adolescente ver já foi executado em centenas de filmes, como «Evil Dead», «Wrong Turn» e «Cabin Fever». No fundo o cliché começa mesmo na própria sinopse, mas logo quando assistimos às primeiras cenas verificamos que estamos perante um outro género de, mais cerebral sem nunca perder o sentido mainstream, mais cómico que um verdadeiro exercício de suspense viral ao estilo JJ Abrahms. «Cabin» não começa com adolescentes, mas num laboratório com duas personagens interpretadas por Richard Jenkins e Bradley Whitford, das quais nem sequer me atrevo a falar. A partir daqui desenvolve-se um slasher high-tech e uma verdadeira ode ao bom cinema de horror e uma chapada a todo o mau horror. 
 
Seguindo entre a homenagem aos primeiros e paródia aos maus filmes (sem cair paródia descabida como «Scary Movie»), a obra acaba por ser dos melhores entretenimentos do ano, especialmente para os fãs do género, mas não tanto para o espectador leigo. E é daqui que vem a tal comparação a «Scream», pois ser um conhecedor das convenções, dos vícios e virtudes do cinema de horror é uma enorme vantagem para entender até à ultima linha toda a sua dimensão. Isso já se tinha sentido na comédia de horror hillbilly «Tucker e Dale Contra o Mal», mas a componente Sci-fi da fita e a maior ambição e abrangência de sub-géneros, leva-o ainda mais longe…

Apanhado no caos que foi a falência da MGM, a «The Cabin in The Woods» apenas falha não ter chegado mais cedo, ainda que agora com a fama de Chris Hemsworth (Thor, A Branca de Neve e o Caçador), e a ligação de Joss Whedon (o argumentista e produtor) a «Os Vingadores» possa trazer enormes vantagens na exposição do filme às massas.
 
★★★★☆ 

 {/xtypo_rounded2}

 
Kevin Morris, em Austin 
 
 
 

Últimas