Os 10 melhores filmes do ano por André Gonçalves (e também os 3 piores)

(Fotos: Divulgação)
Nunca me Deixes
 

Os 10 Melhores Filmes estreados em Portugal em 2011 (Cinemas + Festivais + Home Video) 

1. Nunca Me Deixes – O filme mais belo do ano em todos os sentidos. Nesta adaptação injustamente amaldiçoada da obra romântica e cruel de Kazuo Ishiguro, três jovens enfrentam o mundo exterior e as verdades cruéis que este esconde, numa luta contra o seu próprio tempo de vida, ao mesmo tempo que um triângulo amoroso se forma. Um filme que cá teve a infeliz honra de ir directo para DVD e que tenho a certeza que sofrerá uma forte reavaliação daqui a 10 ou 20 anos (à semelhança do que aconteceu com agora clássicos da ficção científica como “Blade Runner”, “Gattaca” ou mais recentemente “A.I.”)
2. A Pele Onde Eu Vivo – O filme mais ousado do ano. Um filme que cimenta de uma vez por todas Almodóvar como o cineasta mais consistente da actualidade. Nesta junção das duas fases (o seu universo depravado com o seu universo mais maduro dos últimos filmes), o cineasta espanhol mergulha fundo num jogo de identidades, sem nunca em momento algum julgar as suas personagens e respectivas motivações.
3. Incendies – A Mulher Que Canta – a par de ” A Pele Onde Eu Vivo “, a reviravolta final mais chocante que o cinema viu nos últimos tempos. Tragédia grega contemporânea, que mistura habilmente o drama dos prisioneiros de guerra com o mais básico dos sentimentos: o amor que uma mãe nutre por um filho. Um murro em todos os pontos do corpo. 
4. A Árvore da Vida – neste seu 5º filme em 40 anos de carreira, Terrence Malick volta a fazer das suas, e oferece-nos mais um belíssimo poema visual (e sonoro), num verdadeiro espéctaculo sensorial e que tem muito mais de cinema a quatro dimensões que “Spy Kids 4”. 
5. Um Ano Mais – Depois de “Um Dia de Cada Vez”, mais um olhar inteligente e profundamente humano do cineasta Mike Leigh sobre a classe média britânica, que nos revela talvez a performance feminina mais assombrosa do último ano: Lesley Manville.  
6. Ausente – Este novo filme do argentino Marco Berger foi de longe para mim o filme mais memorável da competição do Queer Lisboa. Um thriller minimalista sobre obsessão/desejo e culpa. Tal como Almodóvar, Berger não tenta julgar a situação que é aqui apresentada. Estas são personagens que escapam facilmente a um rótulo “queer” (de tão facilmente rotulado que o universo “queer” se tornou nas últimas décadas ironicamente), e talvez isso justifique a recepção algo fria que o filme enfrentou junto do público do Festival. 
 
Ausente 
7. Lourdes – o olhar subtilmente mordaz e cruel (e ainda assim ambíguo! pode muito bem ser visto como um filme pró-fé) de Jessica Hausner é metade deste “Lourdes”. A outra metade vem de uma interpretação divinal de Sylvie Testud, no papel de uma paraplégica que, numa peregrinação a Lourdes, experiencia o que parece ser um milagre. 
8. Cisne Negro – ao movimentar-se habilmente em pés de bailarina entre o “camp”, o melodrama sério e um filme de terror psicológico na veia de “A Semente do Diabo”, Darren Aronofsky consegue de facto aproximar-se da perfeição que a bailarina Nina tanto deseja, fruto de uma mãe profundamente dominadora (Barbara Hershey, a canalizar Piper Laurie em “Carrie” a pontos) que decidiu transferir todos os seus sonhos falhados para a sua filha.  
9. Gritos 4 – Na melhor “parte 4” que há memória, Wes Craven mostra-nos um três em um: uma sequela, um “remake” e um “reboot”, gozando com a sua própria existência até ao limite. Este é definitivamente o filme mais deliciosamente auto-fágico que tenho memória de ver. E se de facto não nos devemos meter com o original, a verdade é que este #4 rivaliza facilmente com a parte 2 pelo título de melhor sequela da saga.   
10. Confissões de uma Namorada de Serviço – Steven Soderbergh, o cineasta-camaleão, volta para territórios mais “indie” e, num registo aparentemente mais despreocupado e em formato “camara DV”,  oferece-nos um estudo fascinante e incisivo sobre a natureza humana e a busca do prazer fácil, em tempos de crise. 

 
Os Piores do Ano 

1. Mesa Sto Dasos

2. Film Socialisme 

3. Fjellet  

 

André Gonçalves 

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