O filme a «A Casa dos Sonhos» tem sido um verdadeiro pesadelo. A obra só conseguiu agradar a 10% dos críticos que surgem no site Rotten Tomatoes e até o público tem tido uma reacção adversa a ele (apenas 5.5 na escala IMDB).
Para complicar as coisas, os problemas que o projecto sofreu na sua produção continuaram após a estreia, com o realizador a querer mesmo retirar o seu nome dos créditos, pois acredita que a versão final da obra é bastante diferente daquilo que filmou.
Convém voltar um pouco atrás na história para perceber o calvário desta película. No Verão passado, Jim Sheridan («O Meu Pé Esquerdo», «Em Nome do Pai», «Na América») apresentou na Directors Guild of America (DGA) um pedido para a remoção do seu nome dos créditos – que seria substituído pelo termo Alan Smithee, utilizado sempre nestas situações em que há um conflito entre realizadores, produtores ou estúdios.
Porém, o pedido foi suspenso depois da Morgan Creek Productions aceitar refilmar algumas cenas. Foi então que Jim Sheridan decidiu afastar-se um pouco do guião originalmente escrito por David Loucka, favorecendo – ao seu jeito – o improviso. A isso sucedeu um desastroso teste com audiência, que deixou a Morgan Creek muito preocupada. Foi então que a produtora decidiu assumir a liderança do projecto em detrimento de Sheridan.
Como muitos realizadores nos dias de hoje, Sheridan não teve a última palavra na edição final (Final Cut), tendo sido a versão da Morgen Creek a última a chegar aos cinemas. No essencial, a derradeira edição da obra é uma reflexão das filmagens de Sheridan, mas com a montagem dos estúdios/produtores. A tensão entre as partes cresceu e Sheridan avançou de novo com o pedido de remoção do seu nome do projecto junto da DGA, que analisa agora a situação.
Recordamos que «A Casa dos Sonhos» custou 55 milhões de dólares a ser produzido, tendo, até agora, rendido menos de 10 milhões. Em Portugal o filme conseguiu, em cerca de 49 salas, 23 mil espectadores, um valor que não é mau, mas também não é fantástico, dado o elenco (Daniel Craig, Naomi Watts, Rachel Weisz).
Este é um caso que ainda vai dar muito que falar.
Jorge Pereira

