Criticas do Fantasporto: ‘The Crazies’ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Neste “remake” do clássico que George A. Romero (“Night of the Living Dead”) realizou em 1973, seguimos um xerife (interpretado por Timothy Olyphant de “Scream 2” e “Die Hard 4”) de uma pequena cidade da Pennsylvania que está em quarentena devido a um vírus que causa insanidade e incontroláveis impulsos homicidas. Radha Mitchell (de “Silent Hill”) interpreta a mulher do xerife. Romero é o produtor executivo desta nova versão que vem realizada por Breck Eisner (“Sahara”).

No filme que Romero assinou nos anos 70 seguíamos a operação militar em torno da contenção do vírus. Os militares eram negligentes, mal organizados e, derradeiramente, violentos.

Num ponto mais secundário seguíamos um grupo de sobreviventes que tentam sair do perímetro estabelecido pelas autoridades. Haviam apenas duas sequências de terror envolvendo os “loucos” gerados pelo vírus, pois a loucura vinha toda dos militares.
Provavelmente isto vinha de “The Crazies” ter sido a grande aposta de Romero após o sucesso de “Night of the Living Dead” e ele não ter querido repetir a história de sobrevivência e monstros.

“The Crazies” é um filme frequentemente disparatado, como os filmes de acção independentes dos anos 70 eram (nisto faz lembrar “Assault on Precint 13” de John Carpenter). Seguimos muitas personagens para o que é habitual neste tipo de fitas, e a crítica social é a maior protagonista, sendo esta obra um claro ataque à posse de armas e à justiça marcial.

Esta nova versão é bem mais baseada no terror de sobrevivência do que no cinema de acção ou na crítica à negligência militar. Os “infectados” são ameaçadores e monstruosos, e o filme parece que vem carregado de emoções mais diversificadas. Aliás, neste ponto, este é um filme com muitos sustos. Mais do que seria de imaginar – “The Crazies 2010” arranca com uns primeiros 20 minutos intrigantes e cheio de mortes bizarras, criadas com suspense e mestria. Mas mesmo quando se torna uma corrida pela sobrevivência o ritmo mantém-se firme e o filme sabe parar em cenários novos para criar mais alguns momentos assustadores e fazer-nos saltar da cadeira.

Esta nova versão perde bastante no lado militar característico do original, o que lhe dava tanto sentido de humor. As personagens do médico que procura a cura, do chefe militar e dos seus procedimentos protocolares desaparecem por completo. Por outro lado, as personagens dos sobreviventes têm mais tempo para serem desenvolvidas, o que torna o relato mais emocionante.

“The Crazies” é um ‘remake’ que perde a essência mais característica do original para se tornar um filme mais comum e rotineiro. No entanto, é extremamente bem realizado e gerido. E na eficácia vale a pena. Porque se a originalidade da visão de Romero criava um filme disperso, a condensação narrativa de Breck Eisner (“Sahara”) cria um dos filmes de terror mais emocionantes e assustadores da temporada.

O Melhor: Cenas de terror verdadeiramente emocionantes e assustadoras.
O Pior: O tom cómico do original desaparece na nova versão

Pode ver o trailer neste link

Base
“The Crazies 2010” é um filme que prima pela eficácia, especialmente na hora de meter medo. No entanto, emoções fortes à parte, aqui se esconde um filme mais vulgar que o original….7/10

 
José Pedro Lopes


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