Cheia de fôlego estético, mesmo ao fim de uma maratona de 350 títulos, a 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo encerrou as atividades na quarta-feira passada com a projeção de “Ferrari”, de Michael Mann, e uma solenidade de entrega dos prémios. O Júri formado por Bárbara Raquel Paz, Enrica Fico Antonioni, Lenny Abrahamson, Mariëtte Rissenbeek e Welket Bungué escolheu “Het Smelt”, de Veerle Baetens (Bélgica), como a melhor longa-metragem de ficção, e “Samuel e a Luz”, de Vinícius Girnys (Brasil), como melhor documentário. Foi concedido ainda um par de menções honrosas, dada a “If Only I Could Hibernate”, de Zoljargal Purevdash, e à interpretação de Jaya, em “Asog”. O Troféu Bandeira Paulista, criação da artista plástica Tomie Ohtake, foi a honraria dada aos vencedores.
Numa votação ao fim de cada sessão, o público da 47ª Mostra escolheu, entre as atrações de origem estrangeira, o drama “La Chimera”, de Alice Rohrwacher, como Melhor Filme de Ficção. Já “Of Color & Ink: Chang Dai-chien After 1949”, de Weimin Zhang, foi o Melhor Documentário para o júri popular. Entre os brasileiros, “Somos Guardiões”, de Edivan Guajajara, Chelsea Greene e Rob Grobman, recebeu o prémio de melhor documentário e “A Metade de Nós”, de Flávio Botelho, o de melhor ficção.

O Prémio da Crítica coroou “O Dia Que Te Conheci”, de André Novais Oliveira, e “Afire”, de Christian Petzold, havendo ainda uma láurea à parte da Abraccine, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema, confiada a “Sem Coração”, de Nara Normande e Tião.
Pela primeira vez na história do evento, a Netflix entregou um prémio de aquisição no festival, dado a “Saudade Fez Morada Aqui Dentro”, de Haroldo Borges, que recebeu ainda o Prémio Paradiso de Estímulo à Distribuição. Já o Coletivo de Diretoras de Arte do Brasil laureou Pamela Khadra por “Valley of Exile”, pela sensibilidade ao retratar o universo das refugiadas sírias em solo libanês.
Ativistas retratados no já citado documentário “Somos Guardiões” receberam um prémio inédito no Brasil: o Cultures of Resistance. A distinção, que rendeu 10 mil dólares, é concedido aos guardiões da floresta das aldeias Tembé e Guajajara e à mídia indígena, exclusivamente para a compra de câmaras, drones e tecnologia adicional, e destina-se a equipar os indígenas para melhor documentar e proteger a floresta amazônica em seus territórios.

