Menu
RSS


O não-ativismo de «Dunkirk» contra o ativismo do Mundo

O mais recente filme de Christopher Nolan [ler crítica], pode ser tudo, desde a magnificência com que tem sido descrito pela imprensa mais imparcial até à maior “nojeira” das história do cinema bélico pela outra quota, e quem escreve estas palavras é um assumido opositor a Dunkirk, mas desta vez saio… e contrariando as hipóteses… em defesa da obra. Sim, leram bem, não de forma a reconhecer a sua “majestosidade” (até ao final do texto continuo a prevalecer na ideia de um filme desorganizado e manipulador), mas devido às acusações que Dunkirk tem disso submetido nos últimos dias. Até porque os tempos evocam uma resposta da diversidade cultural e de género, e sucessivamente a sua representação em meios que outrora os ignoravam. Porém, há que separar o “trigo do joio”. Existe sim, uma distinta vertente política correcta que cada vez mais se distingue com esse “senso de justiça”.

O que vos trago é a panóplia de notícias que tendem em provar uma negligência por parte de Nolan à importância do outro lado do Império Britânico neste seu retrato à maior das evacuações militares. Segundo o colunista indiano, Mihir Sharma (Bloomberg View), tendo como base um artigo da The Times of India, a India, na altura colónia inglesa, obteve um papel relevantíssimo na Segunda Guerra Mundial, nessa defesa da Coroa Britânica contra a ameaça nazi. O mesmo colunista em conformidade com outras provas históricas e afirmações de historiadores, clama que o episódio de Dunquerque foi igualmente representado pelas tropas coloniais indianas e paquistanesas. As mesmas informações levam a acusações de que Nolan ignorou os factos por diversos motivos, quase todos ligados ao chamado “privilégio branco” ou até mesmo a um cego patriotismo, e não, na maior das hipóteses, à educação escolar que se vive nas escolas britânicas, fruto dessa imagem de “bom Império”. Um pouco à imagem da nossa que continua a vender-nos a ideia que os “portugueses sempre foram bom colonizadores”. Assim sendo, será Christopher Nolan uma vítima do ensino britânico, ou o privilegiado que se vende?

Soldado indiano na evacuação de Dunquerque / Foto.: FRED RAMAGE/GETTY IMAGES

Se é ou não, a questão não serve de todo como um martelo-pneumático para demolir aquilo que o realizador construiu, uma reconstituição longe do romantismo a uma das grandes manchas do historial das Forças Armadas Britânica, e… também, o injetar de uma certa glória na derrota, quase como statment nacionalista. Esta última, servido de acha para outra fogueira, a da metaforização do Brexit, muito em consideração às declarações do conservador politico Nigel Farage (um dos “cabecilhas” da saída do Reino Unido da União Europeia), que veio a público expor a sua admiração pelo filme. Neste caso, é como se o gosto de um indivíduo direcionasse todo um filme para um vertente política e ideológica à sua imagem. Como se, nesse sentido, o fascínio de Adolf Hitler a Metropolis, de Fritz Lang, o conduzisse a uma ideologia nazista nos seus frames (se existir ou não, como tem sido constantemente teorizado o papel do Expressionismo Alemão na conceção dos ideais do nazismo, nenhum dos casos motiva a queda de um filme como uma peça rica da História cinematográfica).

Porém, tirando estas criminações, do outro lado do Oceano, num país que elegeu Trump como presidente, continua-se a derramar tinta em discursos político-sociais da escassez de representações culturais no retrato de Nolan, até mesmo incriminações de misoginia, pela igual ausência da Mulher em todo este enredo. Perpetua-se a valorização do ativismo, por vezes forçado, frente aos propósitos de um filme. E voltando ao início, Dunkirk poderá ser um trabalho impaciente, desleixado e demasiado egocêntrico para se posicionar entre os melhores do seu género, mas posicioná-lo no contexto atual sabendo que a “História está morta” era a proposta encarada pelo realizador… uma afronta a um Mundo cada vez mais sedento por um exemplaridades coletivas no Cinema e numa propagação de um conceito de um “mundo ideal”. Para ser sincero, tudo soa mais histerismo que qualquer outra coisa. 



Deixe um comentário

voltar ao topo

Atenção! Este website usa Cookies.

Ao navegar no website estará a consentir a sua utilização. Saber mais

Entendi

Os Cookies

Utilizamos cookies para armazenar informação, tais como as suas preferências pessoais quando visitam o nosso website. Os cookies são pequenos ficheiros de texto que um site, quando visitado, coloca no computador do utilizador ou no seu dispositivo móvel, através do navegador de internet (browser). 

Você tem o poder de desligar os seus cookies, nas configurações do seu browser, ou efetuando alterações nas ferramentas de programas AntiVirus. No entanto, isso poderá alterar a forma como interage com o nosso website, ou outros websites.

 Tipo de cookies que poderás encontrar no c7nema?

Cookies estritamente necessários : Permitem que navegue no website e utilize as suas aplicações, bem como aceder a eventuais áreas seguras do website. Sem estes cookies, alguns serviços que pretende podem não ser prestados.

Cookies analíticos (exemplo: contagem de visitantes e que páginas preferem): São utilizados anonimamente para efeitos de criação e análise de estatísticas, no sentido de melhorar o funcionamento do website.

Cookies funcionais

Guardam as preferências do utilizador relativamente à utilização do site, de forma que não seja necessário voltar a configurar o website cada vez que o visita.

Cookies de terceiros

Medem o sucesso de aplicações e a eficácia da publicidade de terceiros. Podem também ser utilizados no sentido de personalizar widgets com dados do utilizador.

Cookies de publicidade

Direcionam a publicidade em função dos interesses de cada utilizador. Limitam a quantidade de vezes que vê o anúncio, ajudando a medir a eficácia da publicidade e o sucesso da organização do website.

Para mais detalhes visite http://www.allaboutcookies.org/

Secções

Quem Somos

Segue-nos

Contactos