Morreu o cineasta sul-coreano Kim Ki-Duk

(Fotos: Divulgação)

De acordo com imprensa da Letónia e Rússia, o cineasta sul-coreano Kim Ki-Duk faleceu aos 59 anos, vítima de complicações derivadas da Covid-19.

Segundo informações não oficiais, através do realizador russo Vitalijs Manskis, Kim Ki-Duk foi à Letónia para comprar uma casa em Jurmala e solicitar uma autorização de residência. No entanto, não compareceu à reunião agendada. Os seus colegas interessaram-se e procuram por ele nos hospitais, tendo sido confirmado hoje, 11 de dezembro, que faleceu numa unidade hospitalar. A morte de Kim Ki-Duk foi também confirmada pela sua intérprete Darya Krutova. Representantes da Embaixada da República da Coreia na Letónia ainda não comentaram o ocorrido.

Um dos mais aclamados cineastas sul-coreano, Kim Ki-Duk recebeu o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza por “Pieta“, o Leão de Prata por “Ferro 3“, o Urso de Prata no Festival de Berlim por “Samaritana” e o prémio Un Certain Regard do Festival de Cannes por “Arirang

Controverso nas temáticas abordadas e no grafismo das suas obras, com arte, sexo, violência e outros elementos de choque em sintonia com questões sociais e filosóficas, Kim Ki-Duk caracterizava o seu cinema como semi-abstrato e foi uma presença constante na programação do Fantasporto, onde saiu premiado em diversas ocasiões. Na sua filmografia encontramos ainda “O Bordel no Lago” (2000), “Tipo Ruim” (2001), “Primavera, Verão, Outono, Inverno … e Primavera” (2003), e “O Arco” (2005). “O meu conceito de fazer filmes semi-abstratos é fazer mais do que apenas apresentar a realidade. Ao mundo como o vemos, tento adicionar os nossos pensamentos e sentimentos“, disse em 2003 numa entrevista ao Senses of Cinema.

Nos últimos anos, a sua vida e carreira foi marcada pela polémica, tendo sido uma das figuras atingidas pelo movimento #MeToo. Quando apresentou em Berlim  “Human, Space, Time and Human” (2018), fez a sua primeira declaração sobre a decisão judicial tomada na Coreia do Sul sobre a sua agressão a uma atriz nas filmagens de “Moebius“, de 2013. “Há um caso lamentável, que aconteceu há quatro anos. Expliquei e respondi em tribunal. O promotor público identificou a minha bofetada na atriz como problemática “, disse Kim. O tribunal multou Kim, mas descartou acusações de agressão sexual. “Nós estávamos ensaiando uma cena, com muitas pessoas presentes. A minha equipa não achou que [a situação] fosse inadequada na época. A atriz interpretou isso de forma diferente (…) Houve uma decisão. Não concordo inteiramente com ela, mas assumi a responsabilidade. E tais decisões são parte do processo de mudança da indústria cinematográfica “.

Questionado se gostaria se desculpar pelo incidente da bofetada, Kim respondeu de forma desafiante: “Não. Acho lamentável que isso tenha se tornado um processo judicial “. “As interpretações deste incidente foram diferentes. Expliquei tudo ao promotor público. Aceito essa decisão“, disse Kim quando lhe perguntaram se iria mudar o seu comportamento nas filmagens.

No mesmo ano, três atrizes fizeram novas acusações no programa de notícias investigativas “PD’s Notebook“, transmitido pela emissora pública coreana MBC. As hipóteses de voltar a filmar na Coreia do Sul efetivamente terminaram aí, falando-se que o realizador procurava agora em terras do báltico uma forma de prosseguir com a carreira.

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