Os mais antigos prémios do cinema argentino, os Condor de Prata, foram entregues no passado domingo pela 60ª vez e os grandes vencedores foram «Las Acacias» (critica brevemente), de Pablo Giorgelli (ler entrevista) e «El gato desaparece» (critica brevemente), de Carlos Sorín.
O primeiro filme, que foi considerado o Melhor Filme do ano e a obra que possuía melhor edição, tem sido um verdadeiro peso pesado do universo dos Festivais internacionais, tendo passado discretamente em Portugal no Douro Film Harvest em Setembro de 2011. No filme, que é uma espécie de road movie num interminável percurso (interno nas personagens, externo nas estradas), seguimos Rubén, um camionista solitário que percorre há vários anos a auto-estrada entre Asunción, no Paraguai e Buenos Aires. Um dia a sua rotina vai alterar-se: numa estação de serviço conhece Jacinta, que quer apanhar boleia para a capital argentina. A viagem começa pouco depois, mas Rubén tem uma surpresa não muito agradável quando descobre que a mulher está acompanhada por uma criança de oito meses. Ao longo dos 1500 quilómetros de estrada os dois estranhos começam a conhecer-se melhor e a criar uma relação mais forte. Embora nenhum deles fale muito nem faça muitas perguntas, esta não será uma viagem silenciosa.
Já «El gato desaparece», que para além de ver o seu realizador e atores principais premiados, levou ainda para casa os galardões de melhor som e música. Este é um thriller psicológico com contornos Hitchcockianos no desenlace. Em suma seguimos um catedrático que após um episódio de violência extrema é colocado sobre supervisão psiquiátrica. Porém, e após ser dado com curado, regressa a casa e à sua rotina. Sorin prossegue então a sua história contando a forma como este homem lida agora com o dia adia, pois se aparentemente tudo parece estar bem, a sua esposa desconfia que nem tudo é bem assim, especialmente depois do gato que vivia na sua casa desaparecer.
Em outros premiados destaque para «El Estudiante» (ler critica) de Santiago Mitre – que passou pelo IndieLisboa – e «Ausente» (ler critica), de Marcos Berger – que esteve presente no Queer Lisboa. Uma nota final para «Aballay El Hombre sin miedo», o candidato argentino ao Óscar, vencedor também de alguns prémios nesta edição.
Melhor Filme:
“LAS ACACIAS”, DE PABLO GIORGELLI
Melhor Realizador:
CARLOS SORIN (EL GATO DESAPARECE)
Melhor Ator:
LUIS LUQUE (EL GATO DESAPARECE)
Melhor Atriz:
BEATRIZ SPELZINI (EL GATO DESAPARECE)
Melhor Ator Secundário:
CLAUDIO RISSI (ABALLAY, EL HOMBRE SIN MIEDO)
Melhor Atriz Secundária:
VERONICA LLINAS (CERRO BAYO)
Revelação Masculina:
ESTEBAN LAMOTHE (EL ESTUDIANTE)
Revelação feminina:
ELENA ROGER (UN AMOR)
Melhor Documentário:
“TIERRA SUBLEVADA 2: ORO NEGRO” (FERNANDO ‘PINO’ SOLANAS)
Inovação Artística:
“AUSENTE” (MARCO BERGER)
Melhor Primeira obra:
“EL ESTUDIANTE” (SANTIAGO MITRE)
Melhor Guião Original:
“EL ESTUDIANTE” (SANTIAGO MITRE)
Melhor Guião Adaptado:
“ABALLAY, EL HOMBRE SIN MIEDO” (FERNANDO SPINER, JAVIER DIMENT, SANTIAGO HADIDA
Melhor Fotografia:
“ABALLAY, EL HOMBRE SIN MIEDO” (CLAUDIO BEIZA)
Melhor Edição:
“LAS ACACIAS” (MARIA ASTRAUSKAS)
Melhor Direção Artistica:
“JUAN Y EVA” (RODOLFO PAGLIERE)
Melhor Música Original:
“EL GATO DESAPARECE” (NICOLAS SORIN)
Melhor Som:
“EL GATO DESAPARECE” (JOSÉ LUIS DÍAZ)
Melhor Guarda Roupa:
“JUAN Y EVA” (MARCELA VILARIÑO)
Melhor Curta metragem:
“LUMINARIS” (JUAN PABLO ZARAMELLA)
Melhor Filme Iberoamericano:
“BALADA TRISTE DE TROMPETA”, ALEX DE LA IGLESIA (Espanha)
Melhor Filme Estrangeiro:
DOS HOMENS E DOS DEUSES

