A Academia de Artes e Ciências divulgou hoje uma pré-seleção de 9 filmes para a categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Recordamos que foram submetidos e aceites 63 candidatos, figurando entre eles «José e Pilar», o filme indicado por Portugal.
Infelizmente o filme português não conseguiu entrar nessa pré-seleção, tal como obras como «Tropa de Elite 2», «The Flowers Of War», «Le Havre», «Et Maintenant on Va Ou», «Pa Negre» e «Miss Bala».
Aqui deixamos a lista atual de candidates dos quais serão selecionados cinco nomeados.
Alemanha: «Pina», de Wim Wenders
O subtítulo deste filme é uma citação de Pina Bausch: «dance, dance, otherwise we are lost» e esse é o espírito que a moveu ao longo de toda a sua longa e influente carreira como coreógrafa e bailarina. Inicialmente um projeto conjunto de Wim Wenders e Pina, após a morte desta em 2009, durante a fase de pré-produção, Wenders abandonou-o desiludido, pensando que não seria possível concluí-lo sem ela. Só mais tarde voltou a ele e, com a ajuda dos seus bailarinos, concluiu o trabalho.
http://www.youtube.com/watch?v=LGKzXUWAjnI
O resultado é uma homenagem a Pina, ao seu trabalho e à sua influência nas pessoas que a rodeavam, sem cair na hagiografia, mas também sem explicar a fundo os mecanismos ou o processo da dança. É um filme lírico, que, com a tecnologia 3D, nos emerge no campo da dança, sem nunca a conseguir abarcar ou clarificar. Mesmo nas participações dos seus bailarinos, apresentadas de forma original pela dança dos mesmos, pouco se fala sobre o processo ou significado da dança, para Pina ou para eles. É um filme para apaixonados da dança e do cinema, com uma fotografia e um enquadramento muito fortes, mas não pretende explicar, antes parece focar-se mais na poesia dos movimentos, com uma forte influência modernista, onde os cenários fabris e mecânicos contrastam com o movimento orgânico da dança que o ocupa.
Bélgica: «Rundskop», de Michaël R. Roskam
No filme seguimos Jacky Vanmarsenille, um trabalhador de uma instalação pecuária que é abordado por um veterinário para fazer um negócio com um perigoso traficante de hormonas. Quando um policia é morto e surgem elementos do passado de Vanmarsenille, uma sucessão de eventos levará a consequências impensáveis.
Canadá: «Monsieur Lazhar», de Philippe Falardeau
Obra de Philippe Falardeau que foi recentemente premiada no Festival de Toronto e que conta com a produção dos mesmos responsáveis por «Incendies» (nomeado no ano passado). No filme seguimos um imigrante argelino que procura asilo político no Canadá. Quando surge a oportunidade de ir dar aulas numa escola primária ele aproveita, focando-se o filme na relação que ele vai ter com duas crianças; o rapaz que encontrou morto o docente que o argelino veio substituir e uma menina cujo ressentimento para com o seu amigo trás revelações nunca imaginadas.
http://www.youtube.com/watch?v=gjNCkxnT-xE
Dinamarca: «SuperClasico», de Ole Christian Madsen
Comédia romântica de Ole Christian Madsen (Flame & Citroen). No filme acompanhamos Christian (Anders W. Berthelsen), o dono de uma loja de vinhos em Copenhaga que é abandonado pela mulher. Esta é uma jornalista desportiva que o troca e decide ir para Buenos Aires com a sua nova companhia, o jogador de futebol temperamental Juan Diaz (Sebastián Estevanez). Mas Christian não desiste da mulher e juntamente com o filho ele decide viajar para a capital Argentina e reconquistar o seu amor.
http://www.youtube.com/watch?v=Do0YAZ9CTso
Irão: «Nader and Simin, A Separation», de Asghar Farhadi
Neste trabalho, que vai estrear comercialmente em Portugal através da Alambique, Farhadi deixa de lado a política e «prefere concentrar-se num casal à beira da separação, cuja mulher Simin (Leila Hatami) prefere procurar um futuro melhor para a sua filha fora do Irão. Nader (Peyman Moaadi) é um homem honesto, mas teimoso, que acaba por envolver-se num caso de homicídio involuntário quando a sua empregada doméstica caiu das escadas após ser expulsa por suspeita de furto. Muito para além do aspeto policial, somos arrebatados pelas diversas nuances do guião, em que as questões morais e religiosas definem o trajeto das personagens.»
http://www.youtube.com/watch?v=Dlt6-aDWAVI
Israel: «Footnote», de Joseph Cedar
Grande vencedor dos prémios Ophir, atribuídos pela Academia de Cinema local e uma das obras que marcou presença este ano em Cannes. Nela seguimos a rivalidade entre um pai e um filho, ambos académicos peritos no Talmud.
http://www.youtube.com/watch?v=sfsn17MqkBo
Marrocos:«Omar m’a tuer», de Roschdy Zem
No filme seguimos a história de um imigrante detido por um assassinato perto de Cannes (França). O filme examina o sistema penal e analisa as escolhas da policia e do ministério público em atribuir um crime a um alvo fácil. De notar que este cineasta protagonizou, há pouco tempo, «À Bout Portant» e «Hors la loi» (Fora da Lei) (que curiosamente chegou aos nomeados finais da edição 2011 dos Óscares).
Polónia: «In Darkness», de Agnieszka Holland
Filme da veterana Agnieszka Holland que se foca num fenómeno muito pouco conhecido da 2ª Guerra Mundial e que coloca um grupo de judeus a viverem escondidos dos nazis no sistema de esgotos da cidade.
http://www.youtube.com/watch?v=nb2TyPfxaQU
Taiwan: «Seediq Bale», de Wei Te-Sheng
Obra de Wei Te-sheng. Nela seguimos os violentos motins e confrontos entre nativos de Taiwan e soldados japoneses, quando a ilha foi colonizada nos anos 30. De notar que esta obra, com quatro horas e meia de duração, provocou alguma celeuma em Veneza recentemente, pois a organização do certame definiu-a como uma coprodução chinesa. Os responsáveis por Taiwan intimaram a organização do certame a alterar a designação.
http://www.youtube.com/watch?v=d1wcMvBcqW0
Jorge Pereira

