A programação regular do Festival do Rio 2026 chega ao fim na noite deste domingo, mas, a partir desta segunda-feira, o certame ganha uma espécie de prolongamento de três dias nas salas cariocas. Ao longo de todo este Dia das Crianças, as salas 3, 4 e 5 do Estação Claro Rio exibem os vencedores da 28.ª edição. Em paralelo, o Estação Claro Gávea 5 projeta, entre as 14h40 e a meia-noite, títulos que saíram do festival com estatuto de sensação, como o documentário polaco Filho da Poeira, de Weronika Mliczewska; o drama francês As Crianças Estão Bem, de Nathan Ambrosioni — um dos grandes filmes desta edição —; a comédia portuguesa Óculos de Sol Pretos, de Pedro Ramalhete; e Sem Dor, fábula do italiano Gianni Amelio.
Na terça-feira, o mesmo Estação Claro Gávea joga pesado ao exibir, às 21h45, o novo trabalho de Werner Herzog, Bucking Fastard, com as irmãs Rooney e Kate Mara a interpretarem duas irmãs sedentas de amor. Antes, às 19h15, há uma das pérolas que pode colocar John Malkovich na rota dos Óscares: Cavalo Selvagem Nove, no qual interpreta um agente da CIA fragilizado tanto na saúde como na lucidez durante uma incursão pela Ilha de Páscoa, no Chile, em 1973.
Ainda na terça-feira, às 16h45, o Estação Claro Rio 5 recupera o obrigatório Glaxo. Benjamín Naishtat assina a realização deste cruzamento entre thriller político e drama geracional argentino-brasileiro, com produção de Rodrigo Teixeira, que se tornou uma das sensações latino-americanas do último Festival de San Sebastián. Numa pequena cidade argentina dominada pela fábrica da Glaxo, a amizade de um grupo de jovens começa a desintegrar-se quando um polícia reformado, interpretado pelo formidável Marcelo Subiotto, e a sua sedutora mulher, vivida por Lali Espósito, chegam ao local. Paixão, violência e vingança atravessam décadas de transformações políticas e sociais, dos anos 1950 aos 1980, com direito até a um resgate de The Terminator (1984) nos ecrãs portenhos. A fotografia é de Pedro Sotero.
Também na terça-feira, às 16h, há o sul-africano Lavanderia (Laundry), de Zamo Mkhwanazi, um estudo sobre paternidade num contexto de silenciamento. Tudo se passa em 1968, quando Enoch, proprietário de uma lavandaria e interpretado pelo brilhante Siyabonga Shibe, é assolado pela brutalidade racista num país que fez do apartheid uma prática de controlo. Fiel acólito de um servidor, acaba ludibriado pelas autoridades e preso. O seu filho, um talentoso músico de jazz, paga igualmente o preço.
Na quarta-feira, no desfecho desta prorrogação, o Estação Claro Gávea acelera com a sensação russa DAU, de Ilya Khrzhanovsky, às 15h, uma experiência cinematográfica de mais de três horas; o thriller escatológico brasileiro Privadas de Nossas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gweder, às 19h15; e, a fechar uma programação de peso, Tender Loving Care, vencedor da Concha de Ouro do Festival de San Sebastián, em Espanha, a 26 de setembro. Mike Leigh assina este drama sobre empatia, centrado numa assistente social, numa amiga, nos seus pais e nas pessoas que precisam da sua ajuda. O filme de Leigh passa às 21h45.
No Estação Claro Rio, uma das apostas de quarta-feira, às 18h30, é Feito Pipa, de Allan Deberton, representante do Brasil na corrida por uma vaga no Óscar, com uma história de tonalidades queer filmada em Quixadá, no Ceará. Antes, às 16h30, os holofotes recaem sobre um filme de ação politizado até à medula: Your Mother Your Mother Your Mother, de Bassam Tariq. Mahershala Ali, de Green Book (2018), é Latif, um muçulmano devoto, pai de três filhos e assassino profissional guiado por um código rígido: não utiliza armas de fogo e só aceita matar alvos que considera merecedores. Depois da morte da mulher, decide abandonar o crime e dedicar-se à família, mas o antigo patrão e uma guerra entre grupos religiosos de Houston frustram-lhe os planos. Latif precisa de encontrar leite materno para a filha bebé ao mesmo tempo que a violência volta a cercá-lo, colocando à prova a sua fé e as suas convicções.
Depois desta derradeira extensão carioca, as atenções cinéfilas brasileiras mudam de cidade. A Mostra Internacional de Cinema em São Paulo abre com Paper Tiger (Tigre de Papel), de James Gray, e entra em ebulição a partir de quinta-feira.

