“While the Green Grass Grows“, um projeto do suíço-canadiano Peter Mettler, que será composto por sete partes- das quais duas foram apresentadas em estreia mundial na 54ª edição do Visions du Réel, foi o grande vencedor do certame, que termina na próxima segunda-feira, 1 de maio.
Esta é a segunda vez que Peter Mettler ganha este prémio, depois de em 2002 ter conquistado o principal prémio do certame com “Gambling, Gods and LSD”.
“While the Green Grass Grows” é o projeto mais pessoal de Mettler até hoje, um diário cinematográfico filmado ao longo de três anos, de 2019 a 2021, com cerca de 11 horas no total. As partes 1 e 6, com a participação dos pais, foram exibidas juntas em estreia mundial no dia 24 de abril, no âmbito da Competição Internacional do festival, com o objetivo de demonstrar a narrativa e a sensibilidade de todo o projeto. As outras partes foram apresentadas na seção da indústria Work-in-Progress, onde Mettler e a sua produtora de longa data, Cornelia Seitler, procuraram parceiros para ajudar a concluir o processo de montagem e pós-produção.
Já o Prémio Especial do Júri foi para a produção coreana “Defectors“, enquanto a menção especial foi para o meticuloso “In Ukraine” de Piotr Pawlus e Tomazs Wolski.
Na Competição Burning Lights, o vencedor foi “Knit’s Island“, de Ekiem Barbier, Guilhem Causse e Quentin L’Helgouac’h. Filmado inteiramente dentro de um jogo de sobrevivência na WEB, o filme acompanha comunidades que fingem viver uma ficção de sobrevivência. Os avatares dos diretores de Knit’s Island passaram 963 horas ali, criando um filme fascinante resultante do encontro com essas comunidades. Os “jogadores” revelam os medos e fantasias, numa confusão por vezes inquietante do real e do virtual. Noutros vencedores desta secção encontramos “This Woman“, de Alan Zhang, com o Prémio do Júri, e “Guián“, de Nicole Chi Amén, com uma menção especial.
O vencedor escolhido da Competição Nacional do Visions du Réel – composta quase inteiramente por obras de mulheres e jovens cineastas – foi “Chagrin Valley“, filme de estreia de Nathalie Berger que oferece uma imersão desconcertante no quotidiano evanescente dos residentes em lares de terceira idade. Nesta secção, o Prémio Especial do Júri foi para “The Wonder Way“, de Emmanuelle Antille, enquanto “La Maison“, de Sophie Ballmer, conquistou uma menção especial.
“A riqueza da arte exibida nesta edição tornou-a uma ocasião particularmente agradável. A lista de vencedores – que inclui vários filmes realizados por mulheres (11 de 18) – ajuda a retratar um Festival cujos excecionais Convidados de Honra e Convidados Especiais ficarão na memória. Lucrecia Martel e Alice Rohrwacher, ao lado de Jean-Stéphane Bron, terão feito deste Festival um espaço de diálogo ao mesmo tempo inspirador, aberto e acessível. A edição de 2023 terá sido dominada por mulheres. É também uma honra e um prazer que o Grande Prémio volte a ser atribuído a uma produção suíça, que – e isto já é uma certeza – ficará para a história do cinema”, disse a diretora artística do Visions du Réel, Emilie Bujès.

