“Vitória” amplia o prestígio de Alan Rocha

"Vitória" chega aos cinemas nacionais a 13 de março

Depois de atrair as atenções internacionais no elenco do blockbuster sul-americano Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional no passado 2 de março, Alan Rocha faz o malabarismo profissional que pode para equilibrar os seus compromissos com o teatro e com a música para se dedicar ao lançamento do que promete ser um dos filmes brasileiros de maior destaque do ano: “Vitória. Com estreia prevista para o dia 13 de março, em Portugal e no Brasil, a produção foi rodada por Andrucha Waddington, o companheiro da atriz da oscarizada longa-metragem de Walter Salles, no qual Alan vive um jornalista da revista “Manchete”. O seu regresso aos ecrãs é numa parceria com a mãe de Torres, a diva Fernanda Montenegro. Ela construiu a sua personagem baseada na história verídica de Joana da Paz, reformada que desmascarou uma quadrilha de traficantes e policias corruptos, na Ladeira das Tabajaras, na Zona Sul do Rio de Janeiro, com filmagens em fitas VHS.

Incluída no Serviço de Proteção à Testemunha, Joana foi apelidada de “Vitória” e teve a sua identidade mantida em sigilo por 17 anos, até morrer em 2023, após o término das filmagens da longa-metragem, realizada por Waddington após uma perda para o cinema do seu país. Ele assumiu as filmagens após a morte do amigo e colega Breno Silveira (realizador de 2 Filhos de Francisco), em 2022. Alan entrou no projeto no papel do repórter que ajuda a personagem de Montenegro a debelar o tráfico.

Sobre a Dona Fernanda, já sabemos de todo o potencial, de toda a qualidade, do quanto ela é majestosa. É a grande dama do nosso teatro e cinema. Estando ali com ela, no set de gravação, ela é uma força da natureza, tipo as águas de uma cachoeira que circulam e não param nunca”, define Alan, um ator e especialista no cavaquinho, formado em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que brilhou no início de janeiro, nos palcos, com o musical Martinho, Coração de Rei. “A Dona Fernanda alimenta as sementes que estão ao redor, através do seu comportamento, através das suas falas. Isso é muito inspirador para a nova geração, para pessoas como eu, que a têm como inspiração, para continuarmos a correr atrás com muita vontade, com muito respeito”.

Morador da Penha, um bairro nos subúrbios cariocas, ele arrebatou as atenções das plateias que levaram Ainda Estou Aqui a arrecadar cerca de US$ 30 milhões pelo mundo fora numa sequência emblemática. É o jornalista interpretado por ele quem entrevista (a futura advogada e ativista) Eunice Paiva (papel de Torres) na película. No momento dessa reportagem, ela debruça-se sobre a luta pelo paradeiro do seu marido, o engenheiro Rubens Paiva, desaparecido após ser levado para depor por agentes da ditadura – para não sorrir ao tirar uma foto. A reação dela é um par de frases: “Vamos sorrir. Sorriam!

Acredito que ‘Ainda Estou Aqui’ vai ser um divisor de águas para o cinema brasileiro poder abrir mais portas e ter mais incentivos. Nós esperamos que vários cineastas tenham um devido apoio para que a qualidade da nossa arte cinematográfica alcance caminhos que, antigamente, eram inimagináveis. Tivermos que esperar o Oscar tanto tempo, batendo sempre na trave”, diz Alan. “Existem filmes que poderiam ter vencido, como ‘Cidade de Deus’, nomeado em quatro categorias (em 2004). Tivemos antes o “Central do Brasil”, “O Pagador de Promessas”. O Brasil tem muitos realizadores talentosos que, às vezes, precisam de mais apoio para que seus filmes possam rodar não só internamente, como fora. Assim, talvez o nosso país possa ser cada vez mais reconhecido com essa nossa arte, o cinema”.

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