“Capitão América: Admirável Mundo Novo”: a empatia voa

(Fotos: Divulgação)

Foi num fevereiro hoje já distante, o de 2016, em meio a uma temporada de Oscars, que a Marvel conseguiu um dos maiores acertos da sua história nas telas, Deadpool, com Ryan Reynolds, provando que essa data, com um perfil bem diferenciado da concorrida Summer Season (de maio a julho) pode funcionar com excelência para narrativas de tónica um tanto mais ousado do que a média dramatúrgica do estúdio, como Captain America: Brave New Worldparece ser. Julius Onah, realizador que já trabalhou Spike Lee no passado, foi chamado por Kevin Feige e Nate Moore, os produtores da Casa das Ideias (apelido da editora por trás dos comics do Homem-Aranha), para tratar essa produção com simbolismo político. Não se trata em falar de Trump, mas, sim, de estabelecer uma sintonia com as ideologias de descolonização da contemporaneidade, numa verve antirracista. É esse o contexto que leva Anthony Mackie (de Seberge The Banker) ao posto de novo Sentinela da Liberdade, no papel de Sam Wilson, antes conhecido como Falcão. O herói surgiu nas BDs em 1969, como um pupilo de Steve Rogers, o Capitão original, que ganhou os seus poderes na II Guerra para combater Hitler. O seu protegido, diferentemente dele, não é superpoderoso, mas tem uma estrutura tecnológica de asas que lhe permite voar – além de ser muito bom na luta. Agora, além disso, ele tem um escudo, que simboliza igualdade e democracia. Escudo esse que será arremessado contra a cara de Harrison Ford, no seu devir Hulk. Só que o Hulk Vermelho.
Foi como uma coisa de família, em que você vê esse personagem crescer e ter seu momento de brilhar.  Fico feliz por ter conseguido fazer isso com uma série de estrelas e amigos com quem comecei”, disse Mackie, em entrevista coletiva via ZOOM, organizada pela Disney, com o C7nema entre os entrevistadores.  


Há onze anos, Mackie encarnou o Falcão em The Winter Soldier, a segunda longa da safra Capitão Américanos cinemas, em luta contra um agente renegado armado com um braço ciborgue, interpretado por Sebastian Stan. A franquia começou em 2011, com The First Avenger, que custou US$ 140 milhões e faturou US$ 370 milhões. A sua continuação, citada acima, veio em 2014 e arrecadou US$ 714 milhões. Em 2016, veio a parte III, Civil War, cuja receita foi de US$ 1,1 mil milhões. Esperam-se cifras parecidas de Brave New World (traduzido como “Admirável Mundo Novo” em Portugal e no Brasil).

Tudo aqui trata-se de ver o Sam Wilson como o Capitão América, na continuação do seu legado. Já o vimos no maior filme que já fizemos, ‘Avengers: Endgame’. Vimos Steve Rogers passar o cargo para Sam e queríamos dar continuidade a essa história”, explica Feige, o Midas por trás das escolhas do estúdio que levou o Thor e os Guardiões da Galáxia para o écran. “É um facto que nas revistas de banda desenhada, o Presidente Thunderbolt Ross (vivido agora por Harrison Ford)- é uma ‘personagem’ há muitas, muitas, muitas décadas.  Há uma história em que ele se tornou presidente e transformou-se no Hulk Vermelho. Essas foram as fontes primárias para o filme”.   

O Falcão surgiu nas BDs em 1969 e ganhou o manto do Capitão nos anos 2010 – Crédito da foto: Divulgação/ Marvel Studios. © 2024 MARVEL

Depois de assumir o protagonismo numa minissérie na Disney + ao lado de o Soldado do Inverno (Stan), ainda no posto de Falcão, Sam Wilson agora encarna de vez a identidade do Capitão, sob a orientação que o seu antecessor, Steve Rogers (Chris Evans), deixou. Existem perigos novos no mundo, incluindo o regresso de Samuel Sterns, o cientista conhecido como Líder nas graphic novels (interpretado por Tim Blake Nelson). Ele já manipulou Raios Gama antes. É a energia que fez o físico Bruce Banner transformar-se em Hulk. Os Gama hão de entrar em cena novamente, quando Ross, procurando o controle pleno sobre os super-heróis, transforma-se numa fera gigante e rubra.

Acho que temos a capacidade de mudar de forma entre essa condição Hulk e humanidade, mas esse não é realmente o meu departamento”, brincou Ford na conversa online. “Fiquei muito feliz com a oportunidade de brincar neste playground. “Assisti aos filmes da Marvel e, ao atores de que realmente gostava, que realmente admirava, divertindo-se muito. Por isso, pensei: ei, quero um pouco disto”, disse o eterno Indiana Jones.

Onah – que filma curtas desde 2004 e estreou-se nas longas metragens com “The Girl Is in Trouble”, em 2015 – respondeu ao C7nema que o foco do filme não está nele, e, sim, na consolidação de Wilson como o Capitão de que a Terra precisa. Trouxe ainda o aclamado ator Giancarlo Esposito para viver o Sidewinder.

O maior desafio (ao fazer sequências de ação) é garantir que estejas a oferecer algo novo, mas o grande trunfo aqui foi o Anthony Mackie e o Sam Wilson. Sabes, queria pensar muito sobre como contar a história da sua jornada emocional por meio da ação. Como apresentamos o nosso novo Capitão?”, questiona Onah. “O Wilson é alguém que, devido à sua escolha de ser o Capitão América, precisa improvisar.  Ele tem que ser um pouco mais duro. Nós percebemos que ele vai dar conta dos obstáculos, não importa o que aconteça”.

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