“O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim” recria a Terra-Média de Tolkien em forma de anime

Eternizado na cultura pop pela frase “My Precious”, o Gollum passa longe do eletrizante The Lord of the Rings: The War of the Rohirrim, assim como o Rei Aragorn (Viggo Mortensen) e o hobbit Frodo (Elijah Wood). O anime realizado por Kenji Kamiyama, a partir do universo criado por John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973), entre 1937 e 1955, e celebrizado em oscarizada trilogia lançada por Peter Jackson, de 2001 a 2003, procura latitudes geográficas e históricas da Terra-Média diferentes das que o cinema e o streaming já retratou. O motivo?

Tolkien escreveu que ‘as melhores histórias são aquelas que ainda não foram contadas’, por isso deixamos de lado os Anéis do Poder e as guerras sombrias já exploradas em live-action, para nos concentrarmos no tema da lealdade”, explicou a produtora e consultora dramatúrgica Philippa Boyens ao C7, em entrevista online organizada pelos Globos de Ouro para promover o filme para a Oscar Season de 2025.

Vencedora do Oscar de Melhor Argumento adaptado, há 20 anos, por O Retorno do Rei, ao lado de Fran Walsh e Jackson, ela sugeriu que o objeto dessa investida animada na Terra-Média fosse o reino de Rohan. Nos escritos de Tolkien, a região é famosa pela sua tropa de cavaleiros, os Rohirrim, e por um monarca tempestuoso, Helm Mão-de-Martelo. Fã de “Nausicaä do Vale do Vento (1984), de Hayao Miyazaki, Kamiyama comprou a ideia com o cuidado de usar como norte a filha de Helm, Héra, que não tem o seu nome mencionado na prosa de Tolkien.

Somos entusiastas do trabalho de Kenji e não queríamos impor um recorte a ele, mas, pelo contrário, garantir que a mitologia de Tolkien se moldasse ao seu olhar, para que fosse um projeto com a marca autoral dele. Foi um processo de um aprendiz com um mestre das artes visuais”, explicou Philippa, ao explicar porque a New Line escolheu o realizador das séries Ghost in the Shell: Stand Alone Complex e Blade Runner: Black Lotus”.

Fã da prosa tolkeniana, o animador japonês contou com a equipe da Nova Zelândia que fez O Senhor dos Anéis com Jackson para supri-los de detalhes sobre a construção da Terra-Média.

O que me atraiu nesse projeto foi a chance de explorar um drama humano, para além do que há de fantástico naquele mundo”, disse o cineasta. “O anime é uma ferramenta espetacular para desbravar ambientes imaginários”.

O argumento escrito por Phoebe Gittins, Jeffrey Addiss, Will Matthews e Arty Papageorgiou, a partir de apêndices de “O Senhor dos Anéis” (1954-55), é a jornada de amadurecimento de Héra, uma moça rebelde, quando Mão-de-Martelo (interpretado por Brian Cox) é cercado por hordas do povo Dunlending, liderado pelo traiçoeiro Wulf. A personagem, com a voz de Gaia Wise na versão original, não é uma heroína justiceira clássica, mas sim uma filha leal a um pai protetor, ainda que de verve machista, a qual ela contesta. Lutas fervorosas e escolhas delicadas fazem com que ela cresça, desafie o sexismo e descubra o quanto a Terra-Média pode ser perigosa, sobretudo com a aparição de um certo Saruman, mago interpretado por Christopher Lee (1922-2015) nas longas-metragens de Jackson. Graças ao arquivo com falas do ator, o seu vozeirão pode ser reaproveitado no épico de Kamiyama.
Queríamos uma figura heroica que fizesse a plateia sentir o realismo”, diz Philippa. “Não é a história de uma princesa guerreira, é a saga de uma moça perdida, uma sobrevivente”.

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