Emilia Pérez: Karla Sofía Gascón na rota dos Oscars

“Emilia Pérez” chega aos cinemas portugueses a 14 de novembro

Onipresente nas listas de especulações das potenciais atrizes concorrentes ao Oscar de 2025, Karla Sofía Gascón celebra o reforço que o musical Emilia Pérez trouxe para a luta contra a transfobia em todo mundo, mas ressalta que a razão do sucesso da longa-metragem de Jacques Audiard, da qual é protagonista, não deve se resumir ao seu simbolismo queer.

Existe uma força coletiva de entrega ali, de todas as vozes envolvidas, que vão além da batalha em prol das minorias que travamos nos ecrãs. Sou uma mulher trans que interpreta um corpo em transição, mas quem assiste ao filme vê que as nossas vitórias vieram da força da nossa atuação e da força das personagens”, disse a atriz espanhola ao C7nema no Festival de San Sebastián, quando “Emilia Pérez” estreou na França de Audiard.

“Emília Pérez” ganhou o Prémio do Júri em Cannes

Por lá, o filme já vendeu mais de um milhão de bilhetes, somando ainda nomeações aos prémios do cinema europeu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento, e Melhor Atriz, que pode coroar Karla… novamente. Em maio, ela e as suas colegas Adriana Paz, Zoe Saldaña e Selena Gomez saíram do Festival de Cannes com um prémio coletivo de Melhor Interpretação Feminina. A Croisette deu ainda o Prix du Jury a Audiard, por uma trama falada (e cantada) em espanhol. Karla contou ao C7nema que Sylvester Stallone foi a sua referência para a construção do papel que hoje faz dela uma aposta em Hollywood: a de um líder de um cartel mexicano em transição de género. Temido, o criminoso Manitas renasce com outra identidade, Emilia Pérez, e torna-se uma ativista com a ajuda de uma advogada (papel de Saldaña).

Rocky Balboa foi uma imagem masculina para criar Manitas”, disse a madrilena de 52 anos, que fez os seus primeiros trabalhos de destaque na TV europeia na década de 1990, sob o nome Carlos Gascón.

Foi para o México em 2009, onde trabalhou na televisão e integrou o elenco do blockbusterLos Nobles: Quando os Ricos Quebram a Cara (2013). Cinco anos depois desse fenómeno das bilheteiras, ela assumiu o seu novo nome social publicamente. Quando entrou para a trupe de “Emilia Pérez”, sob a direção do francês Jacques Audiard (vencedor da Palma de Ouro de 2015, por Dheepan; O Refúgio), Karka Sofía pediu ao realizador para deixá-la interpretar a protagonista também em sua fase identitária masculina, encarnado Manitas.

Queria o arco completo dessa figura, de uma margem a outra”, explicou Karla Sofía, que encara o êxito do novo filme de Audiard como uma vitória latina. “Nasci em Espanha, mas trabalhei muito nas Américas, e sei que a visibilidade que encontramos é importante para a comunidade hispano-americana. Saber que um país como a França, tão cioso da sua língua, escolheu um filme ambientado no México e falado em espanhol como seu representante no Oscar é uma vitória. É uma narrativa que amplia o espaço para pessoas historicamente discriminadas”.  

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