Luàna Bajrami: “O desejo de liberdade e as lutas diárias por independência são as mesmas em todo o lado”

"A Colina onde as Leoas Rugem" chega aos cinemas a 16 de março

(Fotos: Divulgação)

Nomeada em 2019 ao César de Maior Promessa por “Retrato da Rapariga Em Chamas”,  Luana Bajrami estreou-se na realização com “The Hill Where the Lionesses Roar” (A Colina onde as Leoas Rugem), filme que estreou na Quinzena dos Realizadores de Cannes e que nos leva ao Kosovo para contar a história de três raparigas presas a uma região com muito pouco para lhes oferecer. Estamos em pleno verão e todas se alimentam de sonhos improváveis ​​de ir para a universidade e a saírem dali de alguma forma, rejeitando as propostas que significam ficarem entregues aos papéis típicos das mulheres na sociedade local. 

Um filme de amadurecimento, vulgo coming-of-age, onde a busca da liberdade a qualquer custo coloca-as na rota do crime e de vários arrufos com as gentes da região. “O meu processo e ideia era transpor para o grande ecrã a energia desta juventude que quer simplesmente quebrar as regras do estabelecido. Queria mostrar mulheres poderosas e loucas. Acima de tudo, queria falar sobre a juventude de uma forma universal. Temos três protagonistas femininas porque eu mesmo sou uma mulher e sinto que há mais nelas a contar. O filme passa-se no Kosovo, mas podia ser em França. Muda o contexto, as possibilidade, mas os desejos são semelhantes. O desejo de liberdade e as lutas diárias por independência são as mesmas em todo o lado”, explicou-nos Bajrami sobre o seu filme.

Reconhecendo que no Kosovo, especialmente devido às tradições e ao sistema patriarcal, existe uma mentalidade muito própria no tratamento das mulheres, que gerou outras obras locais que evocam a emancipação feminina, como “Looking For Venera“, Luàna afirma que muitos dos diálogos do filme colocam em xeque o que é esperado dos homens e das mulheres, gerando algumas situações cómicas que nunca esquecem o dramatismo da situação. “Estamos em 2021 e estas coisas ainda acontecem“, explica a jovem atriz e cineasta, revelando que esses momentos foram colocadas de forma orgânica no guião.

Uma das estrelas da constelação que Céline Sciamma juntou no seu “Retrato da Rapariga Em Chamas“, Bajrami explicou-nos a influência e ajuda da realizadora francesa no processo de criação do seu filme: “Durante as filmagens do Retrato da Rapariga Em Chamas, nunca disse a ninguém sobre o meu desejo de realizar um filme. Estava ali como atriz e só isso. Mas um dia a Céline veio até mim e perguntou-me se eu tinha a certeza se queria ser só atriz e se não tinha interesse em realizar. Fiquei surpreendida, tipo: como podia ela saber do meu interesse? Disse-me que devia tentar, arriscar e avançar para um projeto. Depois disso, ajudou-me bastante no guião. Enviei-lhe o primeiro rascunho e disse para ela me dizer o que achava. Se ela dissesse que era bom, avançaria. Se ela dissesse para eu esperar, esperaria. Ela acabou por dizer para eu avançar e assim foi. Do primeiro rascunho às filmagens foram apenas 5 meses. Foi de loucos”.

Últimas