O que move Franz Rogowski?

(Fotos: Divulgação)

Com 35 anos de idade, Franz Rogowski é um dos atores mais interessantes do panorama europeu. Apesar de ser mais conhecido no nosso mercado pelas sucessivas colaborações com Christian Petzold (Em Trânsito; Undine), o alemão já passou pelas salas nacionais em obras tão distintas como “Happy End” de Michael Haneke e “Uma Vida Escondida” de Terrence Mallick, além de ter papéis em filmes exibidos no território de forma mais limitada, como em “Victoria” e “In den Gängen”.

Em 2021 o ator surgiu no Festival de Cannes em “Great Freedom” de Sebastian Meise, projeto em que interpreta o papel de Hans Hoffman, um homem que passa a maior parte da sua vida adulta na prisão. Enquanto quase todos os prisioneiros são libertados dos campos de concentração no final da 2ª Guerra Mundial, Hans é transferido diretamente para a prisão, considerado culpado de homossexualidade de acordo com o Artigo 175º, uma disposição do Código Penal Alemão em vigor desde 1872 e reforçada em 1935, que continuou a ser aplicada após o fim da guerra, e que criminalizava as relações homossexuais.

Saindo de Cannes e entrando em Locarno, o germânico surge novamente em grande destaque, desta vez em “Luzifer”, filme de Peter Brunner com produção de Ulrich Seidl. Nesta obra, também ela baseada em factos reais, ele interpreta Johannes, um homem que vive isolado numa cabana alpina com a sua mãe e cuja rotina diária é governada por orações e rituais. Quando o isolamento e paz é interrompido pela modernidade – na forma de um empreendimento turístico, de drones invasivos e outros mecanismos  – uma espécie de “demónio”fica à solta, alterando radicalmente o modo de vida do homem e da sua mãe.

Mas o seu ano ainda não terminou, longe disso, e porque não há duas sem três, depois de passar por França e Suíça o ator aterra em Itália, mais propriamente no Festival de Veneza já em setembro, mais uma vez como um peso pesado, desta vez no elenco de “Freaks Out” de Gabriele Mainetti, concorrente ao Leão de Ouro.

Freaks Out

Escolho papéis de diretores cuja escrita me atrai, que me interessam”, disse-nos o ator numa entrevista em Locarno, acrescentando que: “Procuro sempre algo que é mais que um ingrediente.

Especificando a sua escolha em protagonizar “Luzifer”, o ator referiu: “O Peter enviou-me um guião incrivelmente rico e forte com muito poucos diálogos que contam uma história de vida, morte e relacionamentos humanos. Estava muito interessado em fazer parte do filme e desde o início tive a sensação que era uma honra estar no elenco.”

Já abordado a sua aproximação à personagem de Johannes, Rogowski crê que é um ser humano repleto de medo, carregado de raiva interna, mas muito amor e ternura. “Tento juntar essas forças para encontrar uma composição para ela. Não tento colori-la com algo que não tenho, mas preenchê-la de forma equilibrada. Aquela aura surge devido às raízes da minha própria história de vida. Há sempre um aspecto biográfico nestas personagens”.

Quando confrontado com a sua massiva presença em projetos cinematográficos, ao invés do streaming, Rogowski admite que encontra nas plataformas de streaming massivas demasiado conteúdo semelhante: “Ás vezes dás uma olhadela e é tudo a mesma coisa. Em 120 filmes é tudo igual. E se procuras algo mais com marcas de autor é terrível. Precisamos encontrar respostas para isso. No geral não tenho nada contra a Netflix, ou contra a televisão alemã, mas neste momento não me agrada e não quero fazer parte disso. Mas adorava fazer parte disso, mas teriam de haver mudanças nos seus paradigmas.  Dando aqui uma informação particular, apaguei a minha conta Netflix, finalmente, e inscrevi-me na Mubi. Sinto-me tão melhor“.

Últimas