The Informer: a máfia do Sr. Kinnaman

(Fotos: Divulgação)

Poderá bem ser o “informador” num thriller à la carte ambientado no submundo da máfia polaca, mas Joel Kinnaman está sempre um passo atrás do destino.

Kinnaman, ator de origem sueca que se estreou em língua inglesa na série The Killing, do canal AMC e que acaba de ter um dos papeis principais naquela que é uma das grandes apostas da Apple – For All Mankid, estreou em novembro do ano passado e não gerou muito mais que um burburinho arrastado pelo ruído do hype – tem no flime realizado por Andrea Di Stefano um enredo que lhe assenta como uma luva: um antigo soldado a cumprir pena que a dada altura do jogo decide agarrar a oportunidade em “colaborar” com o FBI como moeda de troca pela sua liberdade. Isto é o melhor do filme: os jogos e manobras de infiltração que dão a ver o caminho obscuro que vai dar a uma ideia de justiça que, enfim, não interessa a ninguém mas que é uma das imagens possíveis dessa grande desilusão coletiva. O pior, vem a seguir.

Máfia polaca, russa ou chinesa? Nada disso vem aqui para o caso, porque tudo no filme de Di Stefano é artificial, insosso o suficiente para ir ao encontro das expectativas geradas pelo código do género…. e não mais que isso – um grupo de pelintras com tatuagens no sítio certo e eis que estamos no meio da máfia. Já não chega, não é verdade?

Se não se desmancha por completo numa fantochada caricatural (e quando se chega àquela sequência de “torturazinha” na cave de um restaurante pensamos logo que já não há volta a dar), é porque o filme acaba por ser uma e outra vez resgatado dessa banalidade por um leque de atores secundários de luxo – digamos que ainda está longe o dia em que a Rosamund Pike e o incompreensivelmente desaparecido Clive Owen hão de desiludir de cada vez que aparecem em cena.

Feitas as contas, com que ficamos? Um flime feito à medida para o senhor Kinnaman que cumpre os requisitos mínimos, sem nenhum golpe de asa de encher o olho.


José Raposo

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