«Line of Duty – O Resgate» por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Uma corrida contra o tempo – genérica – com Aaron Eckhart em boa forma

Repleto de energia e uma mensagem bem explícita em torno das dificuldades em ser policia nos dias que correm, Line of Duty é um filme de ação desmiolada com alta improbabilidade que pode até satisfazer os fãs mais hardcore do género, mas que a todos os outros certamente soará como filme de domingo à tarde descartável até num pós-ressaca.

Depois de ter trabalhado com Bruce Willis, Nicolas Cage e John Cusack em projetos de segunda linha, daqueles que outrora enchiam as prateleiras dos videoclubes, o realizador Steven C. Miller agora lidera um projeto com Aaron Eckhart no papel de um polícia marcado por um erro do passado que tenta encontrar um grupo de criminosos que raptou a filha do seu chefe. Sem grandes pausas para descansar, Miller entrega um espétaculo de tiros, perseguições e explosões com o protagonista numa corrida contra o tempo e que se torna num herói improvável quando é seguido por uma vlogger que procura conquistar o seu espaço no jornalismo – através da entrega da “verdade das imagens“, não tão diferente à de qualquer reality show exploratório.

Personagens secundárias caricatas e sequências bélicas infindáveis sucedem-se desenfreadamente, havendo ainda tempo para algum humor de circunstância, normalmente associado às diferenças entre os parceiros improváveis de caça aos raptores e às figurinhas que vão encontrando pelo caminho.

Antiquado na sua fórmula de ação e esquemático e superficial nas personagens, onde não faltam clichês aos tempos atuais, à imprensa e às novas tecnologias, Line of Duty é assim um produto previsível, forçosamente emocional e assumidamente propagandístico, não faltando ainda a exibição de um verdadeiro arsenal de armas, que como bem sabemos funciona como “product placement” nos EUA.


Jorge Pereira

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