Existe uma estranha noção que meter miúdos no cinema a dizerem palavrões e a manejarem brinquedos sexuais dos pais é o suficiente para produzir um filme arrojado e muitas gargalhadas. Não, não é suficiente…

A passagem da infância para a adolescência tem sido frequentemente retratada no cinema através de dramas ou filmes de aventura, por isso seria à partida uma mais valia fazer um filmes essencialmente cómico sobre três miúdos nessa fase a passarem por uma série de incidentes que vão desde a perda de um drone do pai de um deles, a uma confusão com drogas de um bando de criminosos e até uma guerra infinita com duas teenagers supostamente mais maduras.
Se existem boas intenções para além do fazer rir imediato, como abordar o conceito de amor e amizade em tenra idade, o divórcio paterno, e a pressa em crescer rápido e serem populares, tudo se “espalha ao comprido” neste objeto com o dedo na criação e produção de Seth Rogen e Evan Goldberg, mas com a escrita de Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg (do fraco Bad Teacher).
No geral e em forma de sumário, temos três miúdos que se metem em grandes peripécias, passam parte do filme aos berros, entre piadas sexuais e escatológicas, numa tentativa frustrada de criar um Superbad (Super Baldas) para a nova geração, onde não faltam dezenas de referências pop, que vão desde Guerra dos Tronos a Stranger Things, entre muitos outros (O próprio nome português brinca com o clássico de Martin Scorsese – Tudo Bons Rapazes).
É um filme que consegue fazer rir a espaços, tal a sucessão de gags interminável que apresenta (algumas piadas conseguem acertar), e essencialmente inóxio, mas na maioria do seu tempo é uma daquelas produções que soa a cópia desengonçada de uma fórmula desgastada com um bando de miúdos a passarem a maioria do tempo a dizer impropérios enquanto procuram o primeiro beijo – algo que para a crítica americana, habituada a uma indústria ultra-esterilizada sempre a aplicar a equação do crowd pleaser PG-13, soa a “lufada de ar fresco“.
Mas na verdade, chega a ser constrangedor ver o cinema norte-americano a não saber fazer os Porky’s ou American Pies ou o que quer que seja (O Meu Primeiro Beijo, é outro) para uma nova geração, essencialmente sendo medrosos no humor que utilizam, onde qualquer piada minimamente misógina ou misândrica é contrariada com gags meta-narrativas.
Nisto, Gene Stupnitsky (realizador de alguns episódios de The Office) revela-se incapaz de fazer um filme minimamente memorável. Já quanto à comparação com Superbad, esta fica-se pela tradução literal do título. Tudo Bons Meninos é mesmo “Super-Mau”.

Jorge Pereira

