«Campeones» (Campeões) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

A função social do cinema é algo que nunca pode sair da nossa mente ao ver este Campeones, comédia instrutiva e didática que segue a linhagem dos filmes de sucesso inesperados no seio desportivo para passar uma mensagem de inclusão e humanismo.

Grande sucesso em Espanha – comercial e crítico – Campeones segue um treinador adjunto famoso de uma equipa de basquetebol da 1ª Liga que após conduzir embriagado e ter um sério problema de temperamento, é condenado e ordenado por uma juíza a treinar uma equipa composta por deficientes intelectuais.

O que se segue é mais uma história de redenção de um ser humano arrogante, um ensaio sobre perseverança e sonhos, tudo inserido num filme de “underdogs” com resultados extremamente previsíveis. E apesar de ter alguns momentos irresistíveis e ternurentos, nomeadamente fruto da prestação cuidada e realista dos atores (muitos deles com deficiência intelectual) e da importante missão social da sua mensagem, as suas mais de duas horas de clichés, estereótipos e simplicidades – ao pior jeito das fórmulas do cinema de Hollywood – tornam este num projeto repetitivo no seu esquematismo digno e generoso.

E mesmo que nunca seja excessivamente condescendente, como quem olha de cima para baixo, sente-se um verdadeiro cansaço nesta composição de sketches, muitas vezes mal resolvidos, simplificados ou mal executados, que não admiraria mesmo nada se viesse a ter versões locais um pouco por todo o mundo, a começar por França (rendida às comédias sociais) e EUA.

Por tal, Campeones – assinado por Javier Fesser (de Mortadela e Salamão: Missão Não Possível) não é um filme inteiramente conseguido na sua estrutura narrativa e muito menos brilha na técnica. Um daqueles casos que merece uma olhadela pelas boas intenções e pelo grupo de atores com prestações encantadoras, mas no geral, é uma daquelas estopadas em que sabemos o principio, o meio e o fim antes ainda de o ver.


Jorge Pereira

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