«La Grande Bellezza» (A Grande Beleza) por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
 
 
Flaubert (Madame Bovary) sonhava escrever um livro sobre o nada, onde só o estilo importa. Até certo ponto, e certamente sob esse signo, Paolo Sorrentino conseguiu fazê-lo com este A Grande Beleza, com a história de um vazio de um homem sexagenário, que procura alcançar a “grande beleza” do título, um vazio aprofundado por uma notícia trágica.
 
É um filme que faz jus ao seu título em primeiro lugar, onde a palete de imagens e sons atinge um ponto de saturação tal que parece exceder a própria vida, sendo das melhores cartas de amor à cidade de Roma que o espectador poderá assistir em tela. 
 
Em segundo lugar, é um filme que procura resgatar – e bem – a estética do seu conterrâneo Fellini (tanto ainda da fase “clássica” de um La Dolce Vita como sobretudo a menos ortodoxa e ainda mais surrealista de um Julieta dos Espíritos em diante…) para um cenário pós-contemporâneo.
 
Se a execução é menos que perfeita, a viagem traz-nos momentos demasiado inesquecíveis para o todo ser posto perto do topo da pilha de filmes a ver nesta temporada.  
 
O melhor: A grande beleza do filme, incluindo uns quantos momentos inesquecíveis. 
O pior: Não conseguir a 100% este triunfo do estilo, da interpretação cinematográfica do nada (e simultaneamente do tudo).
 
 
André Gonçalves 
 
 

Últimas