Os tubarões como as máquinas assassinas do divertido mas irrealista clássico de Steven Spielberg passaram à história. Nos novos tempos, o célebre predador dos mares aparece dentro de uma visão ecológica, que só ataca por terem sido violadas as leis do seu habitat. É nele que se movimenta Kate (Halle Berry), uma pesquisadora fascinada por tubarões e, cujo grau de entendimento do seu comportamento, lhe permite mergulhar com eles sem gaiola. Afastada deste universo por um trauma, terá que voltar a ele por razões financeiras.
No caso deste “Dark Tide”, o que também parece ter se perdido nos tempos foi a capacidade de contar uma história emocionante e bem escrita para acompanhar as imagens, magníficas, do fundo do mar. Os registos dos tubarões e da vida subaquática são de longe o melhor que este filme tem a oferecer – particularmente nos momentos em que a banda sonora atmosférica de Mark Sayfritz criam ambientes que demonstram que se está a ver uma obra artística e não um documentário do National Geographic. O filme também é mais contido e realista nos registos mais violentos – e, para a deceção de alguns, nunca se verá nenhum tubarão a comer pedaços inteiros de embarcações.
Por outro lado, pior que a história previsível são os diálogos particularmente ruins – que levam o espectador àquele ponto desagradável onde deixa de se importar com a sorte das personagens. O desempenho dos atores e, de resto, do próprio filme, fica condenado a estes dramas inconsistentes e às vãs tentativas de introduzir algum humor – ficando na mais completa trivialidade a gasta mensagem da punição que espera o homem por, com sua arrogância, violar as regras da natureza. Por fim, o clímax final perde-se totalmente numa sucessão de imagens escuras e confusas.
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O realizador John Stockwell deveria considerar assumir a profissão da personagem de Martinez, limitando-se a fazer belos registos da natureza em geral e do mar em particular. Não se pode dizer que a sua sorte profissional não seja invejável: já movimentou equipas de filmagem pelo Havai (“Blue Crush”), Bahamas (“Into the Blue”), Rio de Janeiro (“Turistas”) e agora andou a velejar um mês pelos mares austrais. E tudo isso sem saber fazer filmes decentes.
O melhor: as imagens subaquáticas
O pior: o argumento
| Roni NUnes |

