Realização: Richard Linklater
Elenco: Jack Black, Matthew McConaughey, Shirley McLaine.
A perspetiva urbana do cinema sempre gostou de relatar de forma cómica, com diferentes níveis de benevolência ou sarcasmo, as esquisitices das pequenas cidades. No caso de “Bernie”, o pitoresco dá-se no curioso apego dos habitantes da pequena Carthage, no Texas, ao forasteiro Bernie (Black), cuja especialidade profissional é maquiar os cadáveres antes de serem velados. Mas esse não é o seu único talento – e entre eles o maior é a capacidade de conquistar amigos, incluindo a viúva rica e solitária mais odiada da cidade (McLaine). É aí que as coisas começam a não correr assim tão bem a Bernie.
Richard Linklater vai resgatar a comicidade e o absurdo de uma história verídica contando com os testemunhos dos próprios moradores de Carthage, presentes/observadores dos acontecimentos. Apenas o trio principal de atores, incluindo um McConaughey como peixe na água a fazer de promotor provinciano e exibicionista, são profissionais.
O principal problema de “Bernie” é o tom demasiado regular com que vai contando uma história que nunca chega a atingir grandes picos dramáticos ou mesmo divertidos. A apresentação dos personagens e do local, até aparecer algum conflito digno de nota, é interminável. Quando os problemas realmente aparecem, o filme continua a manter o tom irónico e leve – mesmo a relatar situações que nada devem ter tido de suave para quem as viveu, uma vez que se trata de uma história verídica. Além do mais, o realizador compõe um Bernie tão pitoresco que torna quase impossível levá-lo a sério nos seus momentos dramáticos.
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De maneira geral, as comédias de Linklater são sempre divertidas e bem realizadas, embora nunca atinjam o estatuto de seus registos realistas, como os seus vários trabalhos independentes que culminaram em “Antes do Amanhecer/Anoitecer”.
O Melhor: Jack Black, apesar de tudo
O Pior: o ritmo demasiado regular
| Roni Nunes |

