Realização: Rodrigo Cortés
Elenco: Robert De Niro, Sigourney Weaver, Cilliam Murphy, Elizabeth Olsen.
O ponto de partida é a própria essência dos filmes de suspense/terror: o medo inicia onde falham todas as ferramentas científicas ou racionais para explicar um determinado fenómeno. Quem não acredita que isso possa acontecer são os cientistas Margaret Matheson (Weaver) e Tom Buckley (Murphy), dois físicos que passam o tempo a fazer a vida negra aos pastores religiosos, médiuns e embusteiros em geral.
O contraponto, com o qual Cortés vai jogar com a atenção do espectador, é o médium Simon Silver (De Niro), que retorna à vida pública depois de décadas de retiro. A grande jogada do argumentista/realizador catalão será convencer o público – e a comunidade científica do filme
– de que este homem não é um farsante. Ao instalar a dúvida na mente do espectador, passa a jogar com elementos diversos, como sonhos, visitas noturnas inesperadas, colheres encontradas tortas – e, naturalmente, recorrendo a alguns sustos ocasionais. Nesta narrativa tradicional, que visualmente pede emprestada a sua soturnidade ao inverno canadiano – o destaque é a personagem de Matheson, contraditória e intensa, numa bela composição de Weaver.
Enquanto em termos narrativos “Red Lights” vai serpenteando entre os sustos e as incertezas, o que o filme tem acima da média no género, para além de uma realização sem máculas, é a qualidade do seu debate ciência x misticismo. A expressão que dá nome ao filme refere-se às falhas de uma determinada operação de embuste, aquelas que denotam que algo não está bem e permite o seu desmascaramento.
O cinema de terror/suspense, que pela sua própria natureza frequente tropeça no tema, raramente é um aliado da ciência. Como parte de uma indústria mais interessada em estimular as crendices das massas do que esclarecê-las, o cinema do género nunca se mostrou muito interessado em iluminar o que quer que seja. Mesmo nos filmes mais sérios, onde existe um debate relevante, muitas vezes acaba-se por ficar no “no créo em brujas, pero que las hay las hay”. Cortés vai mais longe que a maioria – e pede mesmo emprestado ao divulgador científico Carl Sagan, de “O Mundo Assombrado pelos Demónios”, algumas das suas observações.
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Não se pode especificar se será nesta obra que a ciência encontrará sua redenção no cinema sem entregar o final, por isso basta dizer que no caminho até lá o filme é interessante e atrativo. Estreia promissora do realizador catalão num universo de produção mais vasto – depois que sua primeira obra, o low budget “Buried”, causou sensação em 2010. Cortés demonstra que bem pode seguir as pegadas de seu conterrâneo Alejandro Amenábar.
O Melhor: o debate ciência x misticismo
O Pior: com ciência ou sem ciência, a resolução da intriga não é totalmente satisfatória
| Roni Nunes |

