«Act of Valor» (Homens de Coragem) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)
 
Realização: Mick McCoy, Scott Vaugh.
Elenco: Roselyn Sanches, Nestor Serrano, Emilio Rivera.

É necessário uma grande simpatia pelas causas do militarismo “yankee” para aturar essa assumida homenagem à marinha norte-americana onde, em termos de cinema, tudo o que se salva são algumas cenas de ação. E a prova é que, fora dos Estados Unidos, o filme não emplacou em mais nenhum lugar – com a curiosa exceção da Itália. 

Os realizadores tiveram a ideia para um filme de ação quando faziam um documentário para a marinha, em 2007. O enredo segue os “atos de bravura” de marinheiros das SEALs que, após o 11 de Setembro, saíram mundo afora a lutar contra os muçulmanos. Seja em que quadrante do planeta for, lá estão estes guerreiros silenciosos, munidos da mais alta tecnologia, equipado com um arsenal variado e prontos a desfazerem operações de malvadezas contra a América. Algumas cenas de ação são muito boas – pelo menos até o ponto em que começam a  parecer intermináveis. O que ocorre porque o filme, de resto, pouco mais tem a mostrar.

“Homens de Coragem” tenta intercalar as cenas de ação com o drama familiar dos soldados, o seu companheirismo e, principalmente, a questão da herança paterna. E aqui simplesmente nada funciona. Os personagens parecem um borrão no meio do tiroteio, de tão inexpressivos. Uma vez terminado o filme, não se consegue lembrar a cara de um único deles. 

Os diálogos que tentam inserir algum conteúdo dramático, sempre a insistir na questão da honra que um pai deve passar ao filho, são pífios. E no mais há um monólogo em off que se dedica a “lembrar” às novas gerações que eles são descendentes de guerreiros e que devem ter orgulho em morrer pela pátria, viver segundo o código de servir ao país e terminar com honra num caixão com uma bandeira (“melhor que viver com medo”, diz a voz) – enquanto soam tiros em homenagem ao presidente dos Estados Unidos. Não admira que o argumentista de “300” esteja por trás disto – como que a provar a ancestralidade da balela militarista.
 
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Com um marketing tão esperto quanto dispendioso (U$ 30 milhões), direcionado na televisão às assistências de futebol americano, foi buscar U$ 70 milhões depois de a Relativity Media ter pago U$ 12 milhões pelos direitos de distribuição. Num ano em que os americanos “chumbaram” nas bilheteiras alguns dos seus produtos nacionalistas mais cotados, não é fácil entender essa escolha. Mas quem sabe o que se passa no coração dos patriotas?

O Melhor: algumas cenas de ação, em especial a do resgate na América Central
O Pior: a declaração de intenções e todo o resto 
 
 
 Roni Nunes
 

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