«Largo Winch 2 – Conspiração na Birmânia» por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

Julian Rappeneau e Jérôme Salle, argumentistas de “Largo Winch 2 – Conspiração na Birmânia” demonstram ter frequentado todas as aulas de como se constrói um filme de ação à maneira de Hollywood, embora com alguns exageros. O filme começa com nada menos que cinco sequências de apresentação – com a introdução de pelo menos dez personagens em cinco lugares diferentes! Se eles não podem ser acusados de falta de ambição, também não é difícil imaginar os problemas de curto-circuito na mente do espetador para seguir o entrelaçar destes pontos de partida. 

Não é fácil seguir uma história com flashbacks que recordam acontecimentos na Birmânia – que não envolvem uma, mas duas histórias (o romance de Winch e a ação do general tirano) – as implicações destes com a investigação de uma promotora da ONU por crimes contra a humanidade e a conexão disto tudo com um russo corrupto e um negócio bilionário. E, pelo meio, Rappeneau e Salle ainda encontraram maneira de colocar romance, tragédia familiar e um contraponto cómico (o assistente pessoal de Winch).

Ligeira megalomania também expressa na opção por utilizar três grandes cenas de ação para enquadrar o filme – uma já na abertura, com perseguições de carros, explosões, etc., outra no meio (uma cena de resgate na selva) e mais uma no fim, com um duelo na estratosfera. Todas, claro, com as “licenças poéticas” do costume – em especial esta última. O final, aliás, acaba por ser o ponto mais fraco desta construção – já que tem que resolver em poucos minutos conflitos que levou quase duas horas para construir. Além disto, a principal cena de resolução da intriga toda é desnecessariamente mal feita – em especial porque o filme não deixa para trás nenhuma explicação de porque razão um homem andaria com pacotes de açúcar no bolso.

Como outros filmes de ação, envolve também ditaduras, libertação de minorias oprimidas, um romance com uma rapariga local. Mas sobre a tragédia real da ditadura birmanesa continua-se a saber muito pouco, pois todas as cenas parecem meramente pretextos para justificar a ação. Mas querer mais de um filme do género talvez seja injusto…

Apesar dos problemas, mesmo assim “Largo Winch 2 – Conspiração na Birmânia” é interessante, cheio de locações pitorescas, reviravoltas e cenas de ação. Sobre a participação de Sharon Stone, já dando mostras faciais de velhice, percebe-se que ela nunca mais se livrará de Catherine Tramell – a sua inesquecível personagem de “Instinto Fatal”. 
 
 {avsplayer videoid=85}

Para padrões europeus, essa co-produção francesa, alemã e belga teve o custo considerável de U$ 20 milhões, muito arriscado se forem considerados os riscos num sistema de distribuição dominado pelos grandes grupos norte-americanos. De qualquer forma, tira proveito de não vir de Hollywood, onde os filmes do género são normalmente utilizados como forma de propaganda por um sistema ideológico integrado, preciso e onde nada é gratuito. Aqui, entretenimento – divertido em alguns momentos, mau em outros – é apenas isso.

O melhor: a equação favorável entre intenções e resultados
O pior: como no primeiro, os excessos narrativos
 
 
 Roni Nunes
 

Últimas