Devo confessar que nunca me consegui enamorar totalmente com o estilo único de Wes Anderson, nem sequer com filmes supostamente mais “consensuais” como “Fantastic Mr. Fox”. Pelo contrário, sinto, cada vez mais, que aquilo que o torna único também o limita de um ponto de vista mais dramático. E ao não me enamorar, sinto-me tão isolado e antissocial como as suas personagens… únicas.
“Moonrise Kingdom” prossegue a verborreia “geek” e auto-consciente que marcou toda a sua filmografia. Desta vez, no rol de personagens “fora” desta realidade e vizinhanças, temos um rapaz escuteiro capaz de vomitar factos e safar-se com pouco, uma adolescente igualmente precoce e inteligente, um polícia desajeitado, um chefe de acampamento incompetente na sua disciplina, um casal de advogados, … e a própria localização geográfica.
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Numa história sobre a fuga de um jovem de um acampamento de escuteiros, e na sua paixão com a tal adolescente, o realizador e argumentista consegue aqui espetar o que podemos esperar dele, e como consequência, o que não vimos muito do género “passagem de infância para a adolescência”. Pelo meio, há que admitir, há um charme irresistível em certas passagens e debitações, e nas surpresas que o filme e o seu autor ainda nos consegue oferecer. Mas ainda não foi desta que Wes Anderson me chegou ao coração com a sua seta endiabrada…
O Melhor: Muitos pormenores com charme no meio de tanta estranheza…
O Pior: Wes Anderson volta a insistir na estranheza pela estranheza.
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| André Gonçalves |

