«Rock of Ages» (A Idade do Rock) por Pedro Quedas

(Fotos: Divulgação)

 

“Rock of Ages” é um filme sobre ambição desmesurada, sobre nunca colocarmos limites aos altos a que podemos chegar, sobre resistir aos ventos de mudança e nunca deixar o espírito do rock morrer dentro do nós. Exatamente por isso se torna tão desapontante que o realizador Adam Shankman jogue tanto pelo seguro.

Parte sátira ao estado de eterna adolescência dos que adoram o mundo do rock, parte homenagem ao rock dos anos 80 (desde Journey e Bon Jovi a Poison e REO Speedwagon), parte história clássica de amor, “Rock of Ages” nunca consegue atingir um equilíbrio razoável entre todas estas intenções.

No que à sátira diz respeito, os autores fazem o melhor que podem. Nomes como Alec Baldwin, Russell Brand ou Catherine Zeta-Jones entregam-se aos seus papéis com o tipo de garra e eterno piscar de olho para o ecrã que tanto sucesso trouxe ao musical no qual o filme se baseia. Tom Cruise, especialmente, como a decadente estrela Stacee Jaxx, enche o ecrã sempre que entra em cena. Todos os atores mostram também uma bastante razoável aptidão para cantar.

Já o talento vocal é a única parte que se aproveita do desempenho do jovem casal protagonista cuja história de amor faz a narrativa avançar. Sempre que cantam, seja em conjunto ou sozinhos, Julianne Hough e Diego Boneta mostram uma capacidade vocal impressionante, mas o problema é quando param de cantar e têm de começar a falar. Enquanto que todo o elenco secundário reconhece sempre que está numa comédia, os dois jovens atores levam-se demasiado a sério e, pior que isso, não têm o talento necessário para nos fazer ter qualquer tipo de relação com os seus limitados sentimentos e interesse no seu inevitável final feliz.

 
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Ainda que as cenas faladas entre os dois jovens atores sejam difíceis de aguentar, o filme tem suficientes momentos de elogio quase orgásmico ao rock dos 80s para justificar a sua existência. Podia ter sido melhor? Sim. Podiam ter procurado um par de jovens actores com um pouco mais de talento e carisma? Sem dúvida. Mas talvez isso não interesse nada. Para que precisamos de intenção dramática e lógica narrativa quando temos o rock?

O Melhor: Os momentos musicais são indiscutivelmente viciantes.
O Pior: A falta de carisma (ou talento) do casal protagonista.

 

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 Pedro Quedas

 

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